Jerónimo ataca Cavaco Silva por causa das escolhas para o Conselho de Estado

19.03.2006 - 18:25 Por Lusa
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje o Presidente da República, Cavaco Silva, de "cumplicidade partidária" ao escolher os seus "mais íntimos apoiantes" para a nova composição do Conselho de Estado.
"As escolhas de Cavaco Silva, personalidades todas ligadas aos partidos políticos que apoiaram a sua candidatura à Presidência, são reveladoras dos seus estreitíssimos critérios: o das suas cumplicidades partidárias e o do círculo dos seus mais íntimos apoiantes", acusou.
Segundo Jerónimo de Sousa, Cavaco Silva "pode ser o Presidente de Portugal, mas não de todos os portugueses". O lidero do PCP falava num comício comemorativo dos 85 anos do partido, que juntou, segundo a organização, cerca de 1400 apoiantes no parque de feiras de Serpa, distrito de Beja.
"Ao romper com a prática anterior, que garantia a representação dos principais partidos no Conselho de Estado", Cavaco Silva, segundo o líder comunista, "deixou clara a sua intolerância e quanto era falsa a sua postura de independência que, de forma calculista, transparecia no seu discurso eleitoral e na sua propaganda".
Os sociais-democratas Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite e Manuel Dias Loureiro, o democrata-cristão Miguel Anacoreta Correia e o mandatário nacional da candidatura de Cavaco Silva, o neurocirurgião João Lobo Antunes, foram as cinco personalidades escolhidas pelo Presidente da República para integrar o Conselho de Estado.
Nos termos da Constituição, cabe ao Presidente da República designar cinco personalidades para integrar o Conselho de Estado. O anterior presidente, Jorge Sampaio, tinha incluindo, entre os nomes que escolheu para o Conselho de Estado, representantes dos principais partidos com assento parlamentar, incluindo o comunista Carlos Carvalhas. Agora o PCP deixa de ter qualquer representação neste órgão de consulta do Chefe de Estado.
Na opinião de Jerónimo de Sousa, a recente constituição do Conselho de Estado apresenta-se como "um sinal esclarecedor da natureza e objectivos da política de Cavaco Silva no exercício da Presidência da República".
"O bloco central político e dos interesses", para além "da nova solução de cooperação estratégica Sócrates-Cavaco Silva, com o CDS-PP a servir de ramo de salsa", tem a partir de agora "o privilégio da exclusividade da representação partidária no Conselho de Estado", criticou.

