Jerónimo acusa Sócrates de destruir o direito ao subsídio de desemprego

20.09.2009 - 00:07 Por Maria Lopes
Jerónimo disse o número duas vezes, pausadamente, para que as cerca de sete centenas de pessoas que enchiam a sala o percebessem bem: 501.663 desempregados estavam inscritos no final de Agosto nos centros de emprego. “É o maior número jamais registado em Portugal”, disse o líder da CDU.
Foi o desemprego e o emprego precário que deram o mote para o discurso de Jerónimo de Sousa desta noite em Almada, culminando um dia de intensa campanha em alguns municípios do distrito de Setúbal, distrito onde disse querer eleger mais dois deputados para somar aos três actuais.
O secretário-geral do PCP realçou que o número de desempregados é muito superior ao das estatísticas oficiais do Instituto de Emprego e Formação Profissional: “Infelizmente muita gente já desistiu de procurar emprego porque não acredita que conseguirá voltar a trabalhar.” Parte dessas pessoas esgotaram mesmo quase todas as possibilidades de ter qualquer apoio por parte do Estado devido às alterações de duração e valor, bem como de acesso ao subsídio de desemprego feitas pelo Governo socialista. Com tais mudanças que destruíram o subsídio de desemprego de muita gente, diz Jerónimo, o Governo poupou 400 milhões de euros.
Por isso mesmo, Jerónimo de Sousa lançou um repto a José Sócrates: que alargue o período do subsídio de desemprego. Essa é uma das propostas da CDU, mas Jerónimo de Sousa não especificou em quanto tempo.
“Há milhares de jovens que podem acusar o PS de não terem subsídio de desemprego”, gritou Jerónimo. Tendo em conta que José Sócrates tem afirmado agora, numa posição mais humilde, estar aberto “à consideração dos problemas”, o líder da CDU desafiou-o: “Se está a ser sincero, tome a medida: alargue o subsídio de desemprego às pessoas que já não o têm.”
Também Heloísa Apolónia, deputada e novamente candidata do partido Ecologista Os Verdes abordou o tema da precariedade do emprego para dizer que na passada semana foi publicada em Diário da República a lista dos trabalhadores do Alfeite que foram agora colocados na bolsa de disponíveis devido ao processo de reestruturação do Arsenal que implica a redução de pessoal e a passagem para o estatuto de sociedade anónima.
Deputados são “verbo de encher”
Insistindo na teoria de que estas eleições não são para eleger um primeiro-ministro mas 230 deputados, incluindo “a senhora deputada Manuela Ferreira Leite e o senhor deputado José Sócrates”. A questão é que ambos dizem que a escolha é entre os dois. “Então que papel reservam aos deputados?”, questionou Jerónimo de Sousa, dando a resposta logo a seguir: é que ambos vêem nos deputados apenas “um verbo de encher” que só servem para “apoiar o Governo”, quem “têm que dizer Amen!”.
Já na CDU, defende o seu líder, o deputado tem como funções “discutir e aprovar leis, fiscalizar o Governo e o cumprimento da Constituição”, assim como “contribuir para uma solução governativa e política”.
A referência às recentes sondagens não poderia faltar no discurso de Jerónimo: “Há 20 e tal anos que as sondagens se enganam em relação à CDU e à APU e enganam-se sempre para baixo, não é para cima”, disse o líder da coligação. “E vão enganar-se mais uma vez”, garantiu.

