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Cenário de eleições antecipadas agita PSD

Jardim e clima de crise no PS abriram duelos para as eleições directas

14.02.2010 - 08:12 Por Filomena Fontes, Nuno Simas

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O tom de Rangel no PE foi mal recebido pelos conselheiros nacionais O tom de Rangel no PE foi mal recebido pelos conselheiros nacionais (Daniel Rocha)
A crise aberta com as escutas do caso Face Oculta, em que surge o primeiro-ministro, José Sócrates, e a eventual antecipação de eleições legislativas foram o rastilho para um novo entusiasmo no PSD. Numa frase: começa a cheirar a poder na sede da São Caetano à Lapa, depois de um longo ciclo de derrotas eleitorais.

Há muito que não se via um conselho nacional tão concorrido como o de sexta-feira, em que se apresentaram os três candidatos à sucessão de Manuela Ferreira Leite nas eleições directas de 26 de Março: Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco. Para a história da reunião, ficam dois "duelos": Rangel-Aguiar-Branco e Passos Coelho-Alberto João Jardim.

Polémico, como sempre, o líder do PSD/Madeira foi, aliás, dos mais directos a defender que o partido não deve ter medo. "Eles [Governo] estão para cair e ainda bem." E se caírem? "Não há problema, porque o PSD tem capacidade de entendimento com o CDS, o PCP ou o Bloco de Esquerda". Deu um exemplo: o da alteração à Lei das Finanças Regionais, que uniu a oposição no Parlamento contra o Governo e o PS. No que foi contestado por vários conselheiros, como Carlos Carreiras, da distrital de Lisboa, que também se manifestou contra a ideia, defendida por Jardim, de o congresso extraordinário ser realizado à porta fechada.

Rangel já tinha usado o argumento da "desagregação acelerada e insustentável do executivo" e, na sexta-feira, apontou o dedo a Sócrates, que acusou de estar a tentar dramatizar e precipitar os acontecimentos. Pedro Passos Coelho, logo no início, admitiu que o "Governo está à espera de um golpe de misericórdia". E Aguiar-Branco, mais comedido nos ataques ao executivo, mesmo por causa do Face Oculta, apresentou-se como "candidato a líder do PSD e a primeiro-ministro".

E a verdade é que no conselho nacional, como nos dias anteriores Rui Machete, presidente da mesa do congresso, se sucederam as intervenções em que se alertava para a possibilidade de o partido poder ser chamado, em breve, "a assumir responsabilidades".

Acontece que antes de pensar em eleições, o PSD vai escolher um novo líder e o primeiro embate entre candidatos aconteceu no conselho nacional que terminou já na madrugada de ontem.

Reunião tensa

Paulo Rangel abriu as hostilidades e o pretexto foi-lhe dado pelo líder da distrital do Porto, Marco António Costa, que se queixou da falta de acesso às verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Rangel acusou Aguiar-Branco de não ter permitido que assessores da Assembleia da República fossem ao Parlamento Europeu dar apoio aos assessores dos eurodeputados. Foi ele de novo o alvo por não ter valorizado a intervenção em Estrasburgo, quando Rangel denunciou a alegada tentativa de controlo dos media pelo Governo. Nesse dia, Aguiar-Branco demarcou-se das afirmações de Rangel, garantindo que esses problemas "se podem resolver entre portas".

Estas críticas, mas sobretudo o tom que Rangel adoptou, foram, segundo relatos feitos ao PÚBLICO, mal recebidas pelos conselheiros nacionais. Mas o momento mais desastrado da intervenção terá ocorrido quando Rangel dava nota que a dimensão da crise no país é notícia em todos os jornais estrangeiros e que ele "lê os jornais alemães". Houve gargalhadas na sala.

Noutro registo, a campanha para as directas, defendeu Rangel, deve ser utilizada como plataforma para personalidades no partido que, como ele, sublinhou, "conseguem ven- cer eleições". E, virando-se para Jardim, apoiou-o na alteração à Lei das Finanças Regionais, que serviu de pano a uma refrega verbal entre o líder madeirense e Pedro Passos Coelho.

Este esteve no alvo de Jardim por ter criticado as mudanças à lei, propostas pelo Parlamento da Madeira. A resposta de Passos foi dura: "No PSD, a minha liberdade de dizer o que penso e o que sinto não depende de Alberto João Jardim. Por muito que lhe custe".

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Comentário + votado

nao devem ter espelhos

EO BPP e BPN que financiarem o PSD? Agora o zé povinho que tem de pagar o dinheiro que ...

paulinho dos limoes

14.02.2010 11:20

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