Jardim dá “prioridade absoluta” a empresas regionais nas adjudicações

31.01.2012 - 10:03 Por Tolentino de Nóbrega
Alberto João Jardim deu instruções aos departamentos do governo regional da Madeira para dar "prioridade às empresas que actuam" no arquipélago. Fê-lo dizendo não temer a eventual inconstitucionalidade da decisão.
"Devo dizer-vos que inconstitucional ou não, dei instruções dentro do meu governo para dar toda a prioridade às empresas que actuam na Madeira e que, durante estes anos, trabalharam connosco", afirmou Alberto João Jardim ontem à noite no jantar anual da Associação dos Industriais de Construção da Madeira (ASSICOM), presidida por Jaime Ramos, secretário-geral do PSD regional.
“O que está definido é prioridade absoluta ao que é regional, às empresas regionais”, frisou o líder madeirense, justificando a decisão com a "faculdade legal de não correr o risco de não ver as obras realizadas". Jardim reafirmou que "desde consultas de advogados até arquitectos o que está definido é para ser tudo o que é regional".
Na intervenção aplaudida pelos empresários madeirenses, na maioria ligados à construção civil, Jardim sugeriu ainda aos presentes que os "preços de adjudicação sejam os mais baixos possíveis, para que haja mais massa monetária disponível e se possa fazer mais obra".
Referindo-se a alguns sectores do privado que fizeram “actos de pura chantagem” com a Região, quando mais precisava de apoio, casos das farmácias e do armador Armas, o governante avisou que ”não se queixem das medidas contra situações destas”.
Por seu lado, o presidente da ASSICOM, Jaime Ramos apelou ao governo de Jardim para que sejam travadas “atitudes desonestas de penetração no mercado regional de empresas low-cost quando na Madeira começarem a surgir concursos para a adjudicação de obras públicas. As empresas regionais devem ser protegidas”.
O também líder parlamentar do PSD na Assembleia regional criticou a passividade do ministro das Finanças que “zela mais pelos interesses do Banco Central Europeu do que em defender, como lhe compete, os interesses do país e da Região”, concluindo que com “os entraves da banca, em financiar o sector habitacional, será difícil que as empresas de construção civil se mantenham”.

