O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, revelou ontem que a Portugal Telecom tentou, no ano passado, tomar conta do Taguspark, o parque de ciência e tecnologia sediado neste concelho e criado por iniciativa governamental em 1992.
“Quando a PT decidiu aumentar a sua participação no capital social da empresa através da aquisição da participação de outros accionistas, a Câmara de Oeiras opôs-se a que a Portugal Telecom se tornasse accionista de referência, tendo desenvolvido considerável esforço financeiro para acompanhar o reforço da aquisição da PT”, declarou o autarca.
Assim, a câmara pode manter o estatuto de accionista de referência que sempre deteve e que a Portugal Telecom cobiçava. Motivos dessa cobiça? Para Isaltino Morais a própria génese da empresa, que aposta na atracção de empresas de base tecnológica, universidades e unidades de investigação, pode ajudar a explicá-la.
Isaltino Morais falou na “tensão ao longo dos anos” entre a Câmara de Oeiras e os accionistas públicos do parque de ciência e tecnologia. Além deste município, que tem 16 por cento do capital, fazem parte do Taguspark o Instituto Superior Técnico (12,64 por cento), a Caixa Geral de Depósitos (dez por cento), o BPI (onze por cento), o BCP (também dez por cento), a EDP, a Universidade Técnica de Lisboa e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, entre outros. A participação da Portugal Telecom não chega aos seis por cento.
O que disse Isaltino Morais foi que a Câmara de Oeiras ficou “com frequência isolada” nas decisões que eram tomadas e “sem possibilidade de controlo efectivo” do que acontecia no Taguspark, porque estes accionistas se uniam para fazer valer a sua vontade. “Há um ano, ano e meio houve uma tentativa da Portugal Telecom de controlar o Taguspark”, resumiu. “E era mau que o único parque de ciência e tecnologia digno desse nome em Portugal fosse transformado em mais uma empresa pública, para acolher os 'boys' de aqui ou de além”.
O autarca falava no fim de uma reunião com o conselho executivo do Taguspark, na sequência da divulgação de escutas do caso Face Oculta que apontavam para o ex-futebolista Luís Figo ter, alegadamente, sido aliciado a apoiar José Sócrates durante a campanha eleitoral, a troco de um contrato de promoção do parque de ciência e tecnologia destinado à captação de novas empresas para o recinto.
Com uma duração de três anos, o contrato teria um valor de 750 mil euros. Figo já desmentiu este aliciamento. Isaltino Morais manifestou estranheza perante o valor do contrato, uma vez que lhe havia “sido dado conhecimento de que rondaria os 350 mil euros”. E é apenas este último montante que diz estar disposto a pagar ao ex-futebolista, “uma vez que o Taguspark não gera resultados que justifiquem um esforço financeiro superior”. Por isso, em vez de promover o parque de ciência e tecnologia durante três anos, como estava previsto, Figo vai fazê-lo apenas durante um ano.
Notícia substituída às 22h46


