Independência económica de Portugal em dúvida perante dependência de credores, diz Manuela Ferreira Leite

19.10.2010 - 00:51 Por Lusa
A antiga líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, garantiu hoje que a actual situação de Portugal deixa “dúvidas” sobre a independência económica do país e alertou para a necessidade de uma “alteração profunda” no modelo de desenvolvimento nacional.
“Digo, sem qualquer espécie de hesitação, que a situação económica do país é de molde a ter algumas dúvidas sobre a nossa independência económica. E é esse o ponto grave que acho que os responsáveis têm obrigação de ponderar, para o defender”, afirmou.
Ferreira Leite falava hoje à noite em Badajoz, Espanha, durante o encontro “O nacionalismo português e o debate espanhol”, em que participaram também Joaquim Pina Moura, antigo ministro socialista da Economia e das Finanças, e Basílio Horta, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
A conferência esteve integrada na iniciativa hispano-portuguesa “Ágora – O debate peninsular”, que começou hoje e decorre até domingo, no Instituto Ferial de Badajoz (IFEBA).
Segundo a antiga presidente do PSD e ex-ministra das Finanças, que se escusou a falar aos jornalistas concretamente sobre o Orçamento do Estado para 2011, para que uma nação “se autonomize e mantenha essa autonomia” é necessário ter, por exemplo, independência económica.
Só que, frisou a atual deputada social democrata, o nível de endividamento atingido por Portugal “não é sustentável” e esta situação coloca o país “absolutamente dependente dos credores”.
Manuela Ferreira Leite salientou que “de há uns anos a esta parte” Portugal tem tido “crescimentos económicos muito baixos”, devido a um “errado modelo de desenvolvimento económico”.
“Ao longo de muitos anos, o nosso modelo de desenvolvimento baseou-se em consumo privado e em investimento público quase todo dirigido aos chamados bens não transaccionáveis”, analisou.
Este modelo “deu resultados, durante uns tempos”, mas “a partir de certa altura” ficou “esgotado”, disse, alertando que é preciso inverter a situação: “Ou existe alguma alteração profunda deste modelo de desenvolvimento, ou o país estagnará, não sei por quanto tempo.”
As famílias, as empresas e o próprio Estado endividaram-se, realçou Ferreira Leite, e, para que o país cresça agora, o “objectivo máximo” tem de ser “o investimento privado, nacional e estrangeiro” e o “aumento das exportações”.
“Tudo aspectos que nos fazem depender de outros”, insistiu, garantindo que este cenário faz com que o país tenha “seriamente” de “encarar o problema da independência económica” nacional.
“E este aspecto, do meu ponto de vista, é fundamental e decisivo para que possamos falar em nacionalismo em Portugal”, afirmou.
A independência económica do país, tendo em conta a necessidade de aumentar as exportações e de atrair investimento privado, indicou a antiga líder do PSD, “passa pela dependência de muitos países e não apenas de alguns”.

