Há tiques socialistas "anti-democráticos" em Cuba, acusa Jerónimo de Sousa

18.09.2009 - 23:55 Por Maria Lopes
Em busca do segundo deputado pelo distrito de Beja, Jerónimo de Sousa fez na noite de sexta-feira, em Cuba, um discurso muito dirigido para aquela região alentejana e apontou o dedo ao que chamou de “tiques anti-democráticos” do PS naquela vila alentejana.
A denúncia chegou pela voz do candidato da CDU à presidência da câmara, socialista há dois mandatos: o executivo tem “pressionado, coagido e ameaçado os candidatos e funcionários da autarquia” que são da CDU. A uma funcionária que estava ontem no jantar-comício que juntou 450 apoiantes, contou, como recusou deixar as listas da CDU e um aumento de ordenado e a subida de categoria (seria a moeda de troca), “ foi-lhe instaurado um inquérito de processo disciplinar”.
João Português criticou também os métodos socialistas de angariação de votos: além da semana dedicada ao idoso nos dias que antecedem as eleições, “agora há excursões para obras: a três dias das eleições vão visitar as obras do aeroporto”, contou. “Deve ser caso inédito no país as excursões a obras. Ou o que dizer nos últimos, da entrega de electrodomésticos, frigoríficos, telemóveis, tudo sem vir à câmara municipal ou sem regulamento próprio. Tem valido tudo nos últimos dias.”
Jerónimo juntou-se às críticas. “É mau que isto aconteça num concelho governado pelo Partido Socialista. Nós não damos razão à direita quando ela afirma que há por aí um sentimento geral de asfixia democrática”, afirmou o líder do PCP. “Mas estes tiques antidemocráticas da presidência da câmara devem merecer reparos e devemos dizer ao PS e à sua direcção olhem cá para Cuba, para aqueles tiques anti-democráticos, inaceitáveis em democracia.”
Para o candidato da coligação PCP-PEV, “essas ameaças não são prova de força, mas de fraqueza, de medo que a CDU consiga o objectivo de vencer as eleições de dia 11 de Outubro”. Jerónimo de Sousa enumerou as vitórias da CDU na região nos últimos tempos: nas europeias e nas presidenciais, a vila de Cuba deu a vitória, respectivamente, à CDU e a Jerónimo de Sousa. “Nós não comparamos o que não é comparável. São eleições diferentes, mas é um grande e potencial sinal de que aqui nesta câmara o dia 11 de Outubro seja o fim de 12 anos de marasmo.” E aproveitou o lema inscrito nas t-shirts dos jovens da Juventude Comunista presentes: “12 anos a xónar, toc’acordar!”.
Mas Jerónimo não quer só a Câmara de Cuba – como de manhã também tinha dito que quer recuperar o município de Alcácer do Sal, perdido há quatro anos para o PS. Quer também mais um deputado pelo círculo de Beja, que se junte a José Soeiro, o único que a CDU conseguiu ali eleger em 2005 – foi a segunda força política. O ainda deputado José Soeiro reconhece não ser fácil tirar um deputado ao PS, mas realçou que "não é impossível consegui-lo".
“É possível este concelho ser de novo um concelho de Abril. Porque temos também a convicção de que se a CDU for a primeira força aqui, podemos eleger no distrito de Beja não um, mas dois deputados à Assembleia da República”, apelou Jerónimo de Sousa, rematando com um grito de ordem: “Confiança, confiança, confiança!”

