Gripe justifica ausência de Manuela Ferreira Leite da "política folclórica" do Chão da Lagoa

26.07.2009 - 09:59 Por Tolentino de Nóbrega
Manuela Ferreira Leite não estará hoje presente na festa do Chão da Lagoa, evitando um duplo e difícil teste. Além da elevada radiação solar, nada benéfica ao alegado estado gripal, a presidente nacional do PSD escapa a um ambiente de forte pressão a que Cavaco Silva deliberadamente sempre escapou, mas que levou Durão Barroso a cantar o hino separatista com Jardim e Dias Loureiro a proclamar que o Governo da República "precisa de muitos Alberto Joões".
Decorridos apenas quatro dias do debate parlamentar, em que, numa rara comparência perante o parlamento regional, Jardim relançou as suas propostas para a próxima revisão constitucional, Ferreira Leite seria inevitavelmente confrontada com matérias controversas sobre a autonomia. Se fosse, as suas palavras ou o seu silêncio, tal como a presença ou a ausência, dariam azo às mais díspares leituras.
O agendamento do debate para as vésperas da festa "laranja" não é mera coincidência, atendendo a que o documento-base fora elaborado por Jardim no Verão passado e aprovado pela Assembleia Legislativa da Madeira a 28 de Outubro de 2008.
Dispensada de vir ao Chão da Lagoa no ano passado, no início da sua presidência, Ferreira Leite seria agora forçada a pronunciar-se sobre a desejada revisão da lei de finanças regionais, promulgada por Cavaco Silva. E a assumir um compromisso eleitoral com o PSD-Madeira, que não esquece as profundas divergências com a antiga ministra das Finanças no governo de Cavaco Silva, nem o seu posicionamento, enquanto ministra da Educação, contrário à regionalização do ensino, o que levou o Governo Regional a apoiar os protestos estudantis anti-PGA. Numa omissão que consideraram ofensiva para a única região em que o partido é governo, os sociais-democratas madeirenses também não perdoam que a sua moção de estratégia global, aprovada em congresso nacional, tenha ignorado por completo as autonomias regionais.
Neste confronto com Ferreira Leite, o líder madeirense admitiu em Abril do ano passado disputar a presidência do PSD por não lhe reconhecer "capacidade para ganhar eleições, porque é uma candidata de facções". Três meses depois, a recém-eleita troca o Chão da Lagoa pelos Açores e daí envia o recado a Jardim: "Não devemos fazer política folclórica, temos de ter cuidado com as festas e os recursos que gastamos nelas."
A resposta não se fez esperar. No peculiar tom em que hoje deverá comentar a providencial gripe, Jardim, no périplo pelas "tasquinhas", respondeu então a Ferreira Leite: Manuela Ferreira Leite não estará hoje presente na festa do Chão da Lagoa, evitando um duplo e difícil teste. Além da elevada radiação solar, nada benéfica ao alegado estado gripal, a presidente nacional do PSD escapa a um ambiente de forte pressão a que Cavaco Silva deliberadamente sempre escapou, mas que levou Durão Barroso a cantar o hino separatista com Jardim e Dias Loureiro a proclamar que o Governo da República "precisa de muitos Alberto Joões".
Decorridos apenas quatro dias do debate parlamentar, em que, numa rara comparência perante o parlamento regional, Jardim relançou as suas propostas para a próxima revisão constitucional, Ferreira Leite seria inevitavelmente confrontada com matérias controversas sobre a autonomia. Se fosse, as suas palavras ou o seu silêncio, tal como a presença ou a ausência, dariam azo às mais díspares leituras.
O agendamento do debate para as vésperas da festa "laranja" não é mera coincidência, atendendo a que o documento-base fora elaborado por Jardim no Verão passado e aprovado pela Assembleia Legislativa da Madeira a 28 de Outubro de 2008.

