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Inquérito inédito na Madeira

Governo Regional condiciona liberdade dos jornalistas

29.03.2010 - 07:53 Por Tolentino de Nóbrega

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A liberdade de expressão "está condicionada na Madeira porque o Governo Regional persiste numa forma de comportamento intimidatório e conflituoso que não é de molde a criar um ambiente pacífico que permita aos profissionais de informação trabalhar de forma adequada". A conclusão é de um inquérito a jornalistas madeirenses elaborado no âmbito de um mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), concluído em Agosto de 2006.

O estudo, de Roberto Meijer Loja, com base no questionário da RSF/Repórteres Sem Fronteiras, refere que as "pressões directas" do poder "são mais sentidas", de acordo com as respostas ao inquérito aos jornalistas, nas rádios e televisão que na imprensa. E, nesta, "as pressões fazem-se sentir sobretudo em relação ao Diário de Notícias e ao Tribuna da Madeira, talvez por serem os órgãos que mais se dedicam a fazer (algum) jornalismo de investigação". A censura/autocensura, conclui, é "um problema que afecta muitos dos jornalistas que responderam ao questionário", e "sofrida/praticada por todos os órgãos, embora em graus diferentes".

A análise às entrevistas permitiu aferir que estas limitações decorrem da acção do Governo Regional, bem como da falta de capacidade e/ou vontade dos jornalistas para reivindicar as condições mínimas para cumprir as suas obrigações perante o público. Além de um "permanente atrito" com os profissionais de informação, a conduta do executivo de Jardim "tem-se pautado pela tentativa sistemática de condicionar a actuação da comunicação social".

Os jornalistas que responderam ao questionário - uma amostra aleatória simples, com 70 respostas de um universo de 156 indivíduos, correspondendo a pouco menos de metade (45%) do total - declararam confiar mais no Diário de Notícias funchalense. No fundo da lista estão as rádios da Controlmedia (de Jaime Ramos), o Jornal da Madeira (propriedade do Governo Regional) e o Garajau ("satírico e cruel", conotado com o PND).

Em termos globais, os jornalistas do Diário de Notícias e do Tribuna são quem mais se queixa de abusos/violações à liberdade de imprensa. Nas rádios, esta faceta é partilhada pelos jornalistas do Posto Emissor do Funchal, da TSF/Madeira, da RDP e RTP. Os jornalistas do Jornal da Madeira e do Notícias da Madeira (já extinto) "têm menos razões de queixa do poder regional": "Estando estes órgãos próximos do poder, as pressões exercer-se-iam (...) directamente sobre as direcções e chefias de redacção".

Os jornalistas entrevistados são extremamente críticos da postura do Governo Regional, mas estão profundamente cépticos: sem uma mudança do Governo, e do seu líder, não vai haver alterações.

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