Produtos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde

Governo quer proibir bonificações da indústria farmacêutica à distribuição de medicamentos

25.10.2005 - 17:13 Por Lusa

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O Governo quer mais genéricos, mas de mais substâncias activas O Governo quer mais genéricos, mas de mais substâncias activas (Daniel Rocha/PÚBLICO)
O Governo prepara-se para proibir as bonificações da indústria farmacêutica aos canais de distribuição de medicamentos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde, anunciou hoje o secretário de Estado da Saúde no debate da comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República sobre o Orçamento de Estado de 2006. Esta proibição deverá abranger igualmente os medicamentos genéricos.

Para Francisco Ramos, o preço dos genéricos em Portugal "é alto" e uma das razões para o custo elevado reside nas bonificações atribuídas pela indústria aos canais de distribuição. Um exemplo destas bonificações é a oferta de uma quantidade gratuita de determinado medicamento quando as farmácias efectuam uma encomenda, o que torna, na prática, o custo total desses fármacos mais barato para estas.

Porém, ao venderem ao público estes medicamentos oferecidos, as farmácias acabam por beneficiar de um fármaco com o qual não tiveram custos, sem que dai resulte qualquer benefício de preço para o utente.

Segundo Francisco Ramos, embora "na prática, as empresas [indústria] pratiquem preços mais baixos", esta redução "é apropriada pelos canais de distribuição e não pelos utentes e pelo Serviço Nacional de Saúde".

Secretário de Estado quer aprofundar política de genéricos

Sobre o mercado dos genéricos, Francisco Ramos adiantou que o Governo quer mais genéricos, mas de mais substâncias activas. "O mercado dos genéricos tem crescido, mas de uma forma aditiva das mesmas substâncias activas", explicitou Francisco Ramos, esclarecendo que o que Governo pretende é traduzir este aumento num maior número de substâncias activas comercializadas sobre a forma de genéricos.

Francisco Ramos adiantou que um quarto do mercado de medicamentos é composto por fármacos sem protecção de patente e que, por isso, podem ser transformados em genéricos.

"É preciso aprofundar a política de genéricos em Portugal", defendeu o secretário de Estado da Saúde.

A proposta de Orçamento de Estado para 2006 apresentada a 17 de Outubro pelo Governo prevê algumas alterações à actual política de medicamentos, nomeadamente dos genéricos. Em relação a estes fármacos, o Ministério da Saúde quer flexibilizar o seu preço, que hoje é obrigatoriamente 35 por cento mais barato do que o medicamento de marca de referência.

A tutela pretende ainda avançar com a revisão das regras e margens de comercialização dos medicamentos e reavaliar o sistema de comparticipação do Estado com os fármacos.

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E os impostos

Essas bonificações fornecidas em produtos ou em descontos são mais valias para as farmácias. Será ...

Anónimo

27.10.2005 00:19

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