Freitas do Amaral diz que Portugal não podia ter impedido saída do antigo Presidente

Governo português rejeita intervenção no regresso de Nino Vieira à Guiné

12.04.2005 - 19:30 Por PUBLICO.PT

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Freitas diz que a única obrigação imposta a Nino era a de não se envolver na política guineense enquanto estivesse em Portugal Freitas diz que a única obrigação imposta a Nino era a de não se envolver na política guineense enquanto estivesse em Portugal (António Cotrim/Lusa)
O ministro dos Negócios Estrangeiros português rejeitou hoje qualquer intervenção do Governo no regresso de Nino Vieira à Guiné-Bissau, garantindo que Portugal nada podia fazer para impedir a saída do antigo Presidente guineense do território nacional.

“Não tivemos participação nenhuma. Limitei-me a receber uma carta dele no ministério dizendo que ia sair, que ia dirigir-se à Guiné para se recensear e agradecendo muito todo o apoio recebido do Governo português”, afirmou Freitas do Amaral, em declarações à TSF, à margem da visita oficial do Presidente da República a França.

A garantia do chefe da diplomacia portuguesa foi feita depois do actual primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, ter lamentado que o Governo português não tenha atendido o seu pedido para desincentivar o regresso de Vieira à Guiné, numa altura em que o país prepara eleições presidenciais.

Durante a breve deslocação, Nino recenseou-se para poder participar no escrutínio, um primeiro passo para uma eventual candidatura, considerada desestabilizadora e que está dividir o próprio PAIGC – o partido no poder em Bissau e que o antigo Presidente chefiou até ao golpe de Estado de 1998.

“Sempre alertámos que ele era um foco de instabilidade e nunca um promotor da paz. Alertámos Portugal e toda a comunidade internacional. Ninguém levou em conta a nossa chamada de atenção”, afirmou Gomes Júnior, em entrevista ao PÚBLICO.

Contudo, Freitas do Amaral afirma que nada poderia ter sido feito para impedir o regresso do antigo Presidente guineense, garantindo que a intervenção de Portugal nesta matéria se limitou àquilo que foi acordado com Bissau.

“A protecção que nós demos até agora [a Nino Vieira] foi a que nos foi pedida pelas autoridades guineenses como forma de ajudarmos a tirar de lá as pessoas que podiam causar problemas. Nesse sentido, foi-lhe concedido o estatuto de exilado político, com a obrigação de não intervir em actividade politica guineense. Se ele agora quer abandonar o estatuto de exilado político e fazer política lá, isso já não é um problema português”.

Questionado pelos jornalistas, o chefe da diplomacia portuguesa disse não saber qual o actual paradeiro de Nino Vieira, apesar de ter informações de que o antigo Presidente já abandonou Bissau.

Também João Gomes Cravinho, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, que se encontra de visita a Bissau, recusou responder às acusações de ingerência feitas por partidos da oposição guineenses ao Governo português, afirmando que não pretendia comentar assuntos internos guineenses.

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