Governo, maioria PS e oposição juntos no repúdio ao cartaz “xenófobo” do PNR

29.03.2007 - 17:51 Por Lusa
O Governo e todas as bancadas parlamentares associaram-se hoje no repúdio ao cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR) a dizer “Basta de imigração”, rejeitando a mensagem de racismo e xenofobia que é transmitida.
A questão foi inicialmente levantada pelo deputado do PS Manuel Alegre, que, em nome pessoal e da bancada socialista, manifestou o “mais vivo repúdio” pelo cartaz, classificando-o como “um atentado aos valores essenciais da democracia” e aos “princípios de tolerância sem os quais não podemos viver”.
“É também uma afirmação contra Portugal e os portugueses”, acrescentou, sublinhando que, além de um país de “emigrantes”, Portugal é igualmente um “país de imigrantes”, que defende uma política de inclusão.
O cartaz do PNR, colocado quarta-feira no Marquês de Pombal, em Lisboa, tem uma fotografia do líder do partido, José Pinto Coelho, acompanhada do seguinte 'slogan': “Basta de imigração. Nacionalismo é a solução”.
Ao lado da fotografia de José Pinto Coelho está ainda uma imagem mais pequena de um avião, com a frase “façam boa viagem” inscrita ao lado. Em rodapé, lê-se ainda a frase “Portugal aos Portugueses”.
PSD contra “mensagem de extremismo”
No sequência da intervenção de Manuel Alegre, aplaudida por todas as bancadas parlamentares, todos os partidos se associaram ao protesto, saudando as palavras do deputado socialista.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, também se juntou à contestação, assegurando que o Governo é “contra esta manifestação de xenofobia”.
Pelo PSD, o deputado Agostinho Branquinho manifestou a “total sintonia política” do seu grupo parlamentar com as palavras de Manuel Alegre, colocando as ideias dos sociais-democratas “exactamente nos antípodas da mensagem de extremismo que o cartaz quer passar”.
O PCP e o Bloco de Esquerda foram, mais longe, questionando a reacção que o Estado deve ter perante estas manifestações de “xenofobia”.
“Em nome do grupo parlamentar do PCP, quero saudar a intervenção do deputado Manuel Alegre”, disse o deputado comunista António Filipe, manifestando a “indignação” do seu partido perante o cartaz.
Questionada permissão do PNR
“Como vamos reagir?”, perguntou António Filipe, questionando se organizações como estas devem estar autorizadas a actuar em Portugal.
Pelo Bloco de Esquerda, Luís Fazenda acompanhou igualmente a intervenção de Manuel Alegre, defendendo que “provocações fascistas” como esta não devem ser ignoradas.
“É uma incitação ao ódio”, exclamou, questionando igualmente a forma como pode “a democracia conviver legalmente com esta provocação”.
“Como Estado democrático, não teremos que dar um sinal e uma palavra contra este cancro da democracia, contra a apologia do ódio e da discriminação”, interrogou Luís Fazenda.
CDS defende responder com silêncio
Em nome do grupo parlamentar do CDS-PP, o deputado Nuno Magalhães juntou-se ao protesto, salientando que o seu partido não aceita “qualquer tipo de extremismo ou radicalismo”.
Contudo, acrescentou Nuno Magalhães, “apesar dos sinais preocupantes”, a questão não deve ser “hipervalorizada”.
“À intolerância devemos responder com tolerância e com um silêncio ensurdecedor, não valorizando a questão”, defendeu.
Esta tese não foi, contudo, subscrita pela deputada do PEV Heloísa Apolónia.
“Aos atentados contra a democracia devemos responder com repúdio e intolerância”, salientou, defendendo a adopção de “atitudes pró-activas” para repudiar mensagens de “puro racismo”.

