O presidente do Governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, diz que existe um "sentimento de boa vontade" por parte do Governo da República para "ultrapassar obstáculos" no relacionamento entre a região e o executivo, depois das polémicas dos últimos anos.
"Não vou insistir em críticas quando fiquei com a impressão que há um sentimento de boa vontade. Eu saio daqui hoje convicto que há um sentimento de boa vontade em ultrapassar obstáculos que tem havido e tenho que ser honesto e dizê-lo", declarou o líder madeirense no final de uma reunião, em Lisboa, com ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira
A reunião tinha sido pedida por Jardim em Dezembro passado e é a primeira que mantém com o Governo desde que foi reeleito em Maio passado, em eleições antecipadas suscitadas pela sua demissão em discordância com a Lei das Finanças Regionais.
O líder madeirense admitiu que nos últimos contactos que manteve com o Presidente da República, Cavaco Silva, este “insistiu na normalização das relações" entre o Governo central e a região autónoma.
Líder madeirense insiste em alterações à Lei das Finanças Regionais
Jardim adiantou que a "reunião correu muito bem" e desvalorizou o facto de não ter sido recebido pelo primeiro-ministro, lembrando que quem tem a competência para a coordenação com as regiões é o ministro Pedro Silva Pereira.
Dizendo manter discordâncias mas não conflitos com o Governo, Jardim congratulou-se com a fixação de uma "metodologia" e calendarização para resolver "assuntos pendentes" relativos à região. "Durante o mês de Fevereiro far-se-ão as reuniões bilaterais necessárias entre o Governo da República para se ir avançando já nessas questões. No mês de Março faremos uma nova reunião, agora de monitorização daquilo que foi feito. E estas reuniões irão ser feitas regulamente de três em três meses", afirmou.
Na reunião foi abordada a nova Lei das Finanças Regionais, uma das questões mais polémicas no relacionamento entre Lisboa e o Funchal, tendo Alberto João Jardim insistido que “há pontos da lei que importa não alterar” mas que é necessário “esclarecer e desenvolver”. “Neste momento a Assembleia Legislativa da Madeira fez uma proposta de alteração a essa lei à AR e o assunto deixa de estar entre os dois Governos e está na Assembleia da República”, afirmou.


