O PSD diz que acabar com feriados civis demonstra uma “enorme consciência” do presente e da “necessidade de construir um futuro melhor para o país” e não “menos respeito” pela História, como afirmou Manuel Alegre.
O Governo anunciou que vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro da lista de feriados obrigatórios e de igual número de feriados religiosos. O objectivo do Governo é contribuir, com esta medida, para o aumento da produtividade.
“Não é decisão que demonstre menos respeito pela História, pelo contrário, é uma decisão que demonstra enorme consciência daquilo que é o nosso presente e da necessidade que temos de construir um futuro melhor para todos”, disse à Lusa o deputado do PSD Luís Campos Ferreira, que respondia assim a declarações de Manuel Alegre em que o ex-candidato presidencial acusou o Governo de atacar “dois símbolos da identidade nacional” e de não ter respeito pela “independência e pela República”.
“Temos cinco feriados que não são religiosos. Qualquer que fosse a decisão [em relação aos dois feriados civis a eliminar], nunca seria pacífica”, sublinhou o deputado, referindo que em causa estavam o 1.º de Maio (Dia do Trabalhador), o 25 de Abril (Dia da Liberdade) e o 10 de Junho (Dia de Portugal e das Comunidades), além do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro.
O deputado referiu ainda que Manuel Alegre “não tem autoridade para dar lições de patriotismo ao PSD e nem o PSD as aceita”.
“É pena que em vez destes fundamentalismos, [Manuel Alegre] não tenha soluções para aquilo que era a construção de um país mais produtivo onde houvesse mais progresso social e mais solidariedade”, disse Campos Ferreira, acrescentando que o histórico socialista “fala agora, mas deu ao Partido Socialista seis anos de feriado enquanto o PS esteve no Governo”.
O deputado social-democrata lembrou ainda que “há datas até recentes em Portugal e muito relevantes que não são feriados”, dando como exemplo a assinatura da adesão de Portugal à comunidade europeia.
“Não é por as datas serem feriados que haverá mais respeito ou que haverá maior simbolismo por aquilo que elas representam na História de um país. Não há necessidade estrita de elas serem feriado para que o país as valorize, para que o país respeite esses momentos históricos”, insistiu.
Questionado sobre a opção do Governo de assumir o compromisso de abolir tantos feriados civis quanto religiosos, apesar de os feriados católicos serem mais, Campos Ferreira respondeu que “embora estado laico”, Portugal é um “país católico na sua grande maioria”.
“Os feriados religiosos tocam fundo naquilo que é o povo português e têm grande simbolismo para o povo, principalmente para um Portugal do interior e, digamos, para um Portugal mais profundo”, acrescentou, concluindo: “Por isso, a paridade parece-me bem”.


