O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, considera que a greve dos professores, marcada para hoje, não tem justificação e estranha que a paralisação tenha sido marcada entre dois feriados.
"A greve parece-nos muito prematura e precipitada", comentou Santos Silva, em declarações à Lusa, recordando que só "ainda agora se abriu o processo de negociação, do qual há-de resultar o novo Estatuto [de Carreira]".
Santos Silva enumerou os dois grandes objectivos que o Governo pretende alcançar com aquela negociação: "Queremos que a carreira de professores tenha um esquema de progressões e promoções, fundadas no mérito e não apenas na antiguidade", e que o seu desempenho profissional "seja avaliado, daí resultando que os melhores sejam premiados".
"Estes dois objectivos tanto valem para os professores como para outras carreiras da Administração Pública", salientou Santos Silva, advogando que da avaliação deve resultar "o benefício dos melhores".
No entender do ministro dos Assuntos Parlamentares, os objectivos governamentais "são bem compreendidos pela opinião pública e absolutamente essenciais para melhorar a qualidade dos serviços públicos e, portanto, das escolas".
A greve e a manifestação de hoje, contra a proposta governamental de alteração do Estatuto da Carreira, é o terceiro protesto de educadores e professores do ensino básico e secundário desde que o Executivo de José Sócrates tomou posse, a 12 de Março de 2005.
A contestação foi agendada pela Federação Nacional dos Professores, à qual se juntaram outras estruturas sindicais independentes, como o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados e o Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação.
Apesar de ter decidido não entregar qualquer pré-aviso de greve, também a Federação Nacional do Ensino e Investigação apelou aos seus associados para participarem na manifestação.
Os sindicatos acusam o Ministério da Educação de não querer promover o mérito na avaliação dos professores mas apenas impor barreiras à sua progressão profissional, por razões economicistas.


