Governo avisa que propostas da oposição terão de estar “quantificadas”

11.11.2011 - 14:04 Por Maria José Oliveira
A poucos dias do início do debate do Orçamento do Estado na especialidade, Miguel Relvas advertiu os partidos da oposição de que as soluções alternativas às propostas do Governo não poderão pôr em causa a meta de 4,5% de défice.
No discurso de encerramento do debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2012, antes da votação, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, reafirmou a “abertura” do Governo para acolher “alterações” ao OE, ressalvando que essa abertura não é “ilimitada” e “incondicional”.
“Não estamos abertos a pôr em causa nenhum dos pilares essenciais da construção orçamental”, disse, enunciando a meta de 4,5% de défice e o “equilíbrio na repartição do esforço de consolidação entre receitas e despesas”.
Neste âmbito, Relvas avisou que as propostas alternativas, que serão apresentadas pela oposição, “devem ser devidamente quantificadas de modo a assegurar a necessária neutralidade orçamental”.
Refutando as críticas, anteriormente feitas por António José Seguro, secretário-geral do PS, relativas à iniquidade dos sacrifícios impostos pelo OE, Miguel Relvas elencou algumas das medidas que irão recair sobre aqueles que auferem maiores rendimentos, entre elas o aumento para 21,5% da taxa aplicável às mais-valias, valores mobiliários e instrumentos financeiros.
Antes de Relvas, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, fez uma referência implícita ao Presidente da República, que, recorde-se, manifestou a sua discordância relativamente à ausência de equidade na distribuição dos sacrifícios. “Uma vez aprovado, este Orçamento tem de ser o nosso compromisso de Estado. De todo o Estado”, afirmou, frisando ainda que o OE é “do Governo, do Parlamento e de todos os órgãos de soberania”.

