O Governo de José Sócrates vai avançar com mais medidas de aperto orçamental e tem o aval do principal partido da oposição. Foi o que Pedro Passos Coelho, líder do PSD, prometeu, no final de uma reunião de uma hora e meia, na Residência Oficial de São Bento, com o primeiro-ministro, tendo a crise como pano de fundo.
As “diferenças” entre PSD e Governo não “impedirão de oferecer a Portugal um quadro de estabilidade” para os “compromissos internacionais” do país em “matéria de estabilização financeira”. E essa era “a principal mensagem” que Passos “gostaria de deixar”, lado a lado com Sócrates, numa declaração conjunta com o primeiro-ministro, um dia depois da baixa do rating de Portugal para o seu nível mais baixo de sempre. O que hoje “afundou” a bolsa portuguesa.
Uma resposta do Governo e do PSD, sublinhou, para dar um sinal de “confiança e tranquilidade” ao país e aos “mercados internacionais”.
Se o PSD está aberto a apoiar o executivo neste tempo de crise, José Sócrates demonstrou igualmente abertura para analisar as propostas feitas pelos sociais-democratas, na semana passada. Medidas de corte nas despesas do Estado, que totalizarão cerca de 1.700 milhões de euros e que, numa primeira análise, durante o debate no Parlamento, o ministro da Economia classificou de “mão cheia de nada”. O chefe do Governo está disposto a analisar as propostas do PSD, assim como de “outros partidos”.
A declaração conjunta – sem direito a perguntas dos jornalistas e em directo para as telejornais – não acabou sem Sócrates anotar uma “palavra pessoal” a Passos Coelho, elogiando o seu “sentido de responsabilidade” ao telefonar-lhe na terça-feira e marcar este encontro.
A reunião Sócrates-Passos Coelho mereceu atenção dos media internacionais, em especial televisões, que estiveram em São Bento.
Uma da medidas a antecipar para 2010, inicialmente prevista para 2011, é a “nova lei de condição de recursos” que tem por objectivo “estabelecer um quadro de justiça para aqueles que recebem prestações sociais”, nas palavras de Sócrates.
O executivo vai ainda propor alterações ao subsídio de desemprego de modo a “garantir que ninguém tem vantagem em ficar no subsídio de desempre apenas por ser uma situação mais vantajosa do que estar a trabalhar”
Uma terceira medida é “avançar já” com “auditorias e fiscalizações às prestações sociais”.


