Garcia Pereira pede a PGR processo criminal sobre “infiltrados” da polícia

06.12.2011 - 19:01 Por Lusa
O advogado Garcia Pereira enviou nesta terça-feira ao procurador-geral da República uma petição para que seja aberto um processo criminal à actuação de alegados “agentes provocadores” da PSP na manifestação de 24 de Novembro frente ao Parlamento.
No documento, o advogado e dirigente do PCTP/MRPP apoia-se em imagens filmadas por manifestantes e colocadas na Internet para apontar a presença de “agentes policiais não uniformizados nem identificados como tal” entre os manifestantes que agiram “tão clara quanto ilicitamente como agentes provocadores de conflitos”.
Garcia Pereira afirma que estas acções podem configurar “instigação a um crime e provocação de motim”, o que seria “de extrema gravidade” a confirmarem-se tais “operações negras sem rosto e sem autores conhecidos mas de consequências incontroláveis e monstruosas”.
O advogado solícita ao procurador que instaure imediatamente um processo criminal e se socorra de todas as imagens da manifestação que ocorreu no dia da greve geral, sejam as recolhidas pelos manifestantes, pelos órgãos de comunicação social ou pela própria polícia.
Na petição acrescenta que os alegados agentes à paisana agrediram violentamente vários manifestantes e que depois da chegada de polícias de uniforme ficaram junto deles, escondendo as armas com que efectuaram as agressões.
Esses agentes à paisana aparecem depois em imagens recolhidas a fazer detenções quando haviam sido eles a comportarem-se como “manifestantes” mais exaltados, na 1ª linha da manifestação e adoptando uma postura (aparentemente) de marcada violência, elevada tensão e grande provocação” para com os elementos do Corpo de Intervenção da PSP.
O seu intuito, sugere Garcia Pereira, seria apenas levar outros manifestantes a cometer actos de violência que pudessem ser usados como pretexto para serem detidos.
Os incidentes frente à Assembleia da República resultaram em sete detenções e um ferido, segundo o balanço da PSP, que atribuiu as detenções a “questões relacionadas com desobediência”.

