Freitas do Amaral diz que ainda é cedo para retirar as tropas internacionais do Iraque

25.04.2006 - 13:11 Por Lusa
O ministro português dos Negócios Estrangeiros (MNE) congratulou-se hoje com a constituição do governo iraquiano, mas considerou que "ainda é cedo" para a retirada das forças internacionais do país.
Em declarações à Lusa em Riade, onde está em visita oficial de dois dias, Diogo Freitas do Amaral destacou o facto de o Iraque ter "pela primeira vez, um governo legítimo, saído de eleições democráticas", e fez votos para que este executivo tenha "o apoio político e social necessário para restituir a calma e a vida normal ao Iraque".
Questionado sobre se existem condições para a retirada das forças internacionais do país, o ministro português considerou que "ainda é cedo" e que isso "só será possível quando se viver numa situação generalizada de paz e ordem nas ruas, em vez de uma situação de atentados bombistas e tiros".
Além disso, defendeu Freitas do Amaral, é necessário que "as forças armadas e de segurança do Iraque estejam em condições de assegurar por si a defesa das instituições e do regime democrático", sob pena de que "todo o esforço e perda de vidas humanas tenha sido em vão".
Segundo o ministro, a prioridade do novo governo deverá ser "restituir a paz entre os iraquianos e, se houver divergências graves entre diferentes grupos, pô-las à mesa das negociações" com a mediação do executivo, para que os problemas "deixem de se resolver a tiro".
Freitas do Amaral destacou um primeiro debate importante do executivo, que foi o apelo a que as milícias integrassem nas forças armadas do país.
"Devemos todos em todo o mundo desejar muitos êxitos e um bom trabalho ao Governo iraquiano e continuar a apoiar o restabelecimento da paz no Iraque, como Portugal tem feito associando-se aos esforços das Nações Unidas", acrescentou.
O Presidente iraquiano, Jalal Talabani, anunciou sábado ao Parlamento ter pedido ao xiita Jawad al-Maliki para formar o novo governo.
No próprio dia, o primeiro-ministro indigitado, considerado um 'moderado', anunciou a intenção de integrar as milícias armadas nas forças de segurança, no seu primeiro discurso perante o Parlamento depois da nomeação.
A acção das milícias dos vários partidos e facções iraquianos, desenvolvida na maior parte das vezes à margem da lei, é considerada pelas autoridades iraquianas e pelas potências estrangeiras como um dos principais factores da insegurança do país.

