Freeport: Jerónimo quer que Cavaco descodifique expressão “assunto de Estado”

01.02.2009 - 19:05 Por Lusa
O secretário-geral do PCP disse hoje que o caso Freeport é uma "questão de justiça", considerando que seria importante "descodificar" a expressão utilizada pelo Presidente da República de que se trata de um "assunto de Estado". "Neste momento é uma questão de Justiça, de apuramento da verdade", afirmou o líder comunista, Jerónimo de Sousa, no final da conferência de imprensa para anunciar as conclusões do Comité Central do partido, que esteve este fim-de-semana reunido.
Questionado se partilha da posição do Presidente da República, que ontem classificou o caso Freeport como um "assunto de Estado", Jerónimo de Sousa disse tratar-se apenas da "opinião" do chefe de Estado. Contudo, acrescentou, "seria importante que o Presidente República descodificasse a expressão".
"A questão central é o apuramento da verdade e o funcionamento da Justiça", insistiu. O secretário-geral do PCP disse ainda que face aos últimos desenvolvimentos e notícias publicadas sobre o caso "cada vez mais se justifica a aceleração da investigação", recusando a atitude de vitimização do Governo. "O Governo não pode entrar na linha da vitimização", salientou.
O caso Freeport voltou a fazer manchetes nos jornais este fim-de-semana, com o semanário “Sol” a falar em "E-mails fatais" e o Expresso de "Mais dúvidas para Sócrates explicar".
Segundo uma carta rogatória das autoridades britânicas, as autoridades britânicas pediram a Portugal diligências para apurar se José Sócrates "facilitou, pediu ou recebeu" dinheiro para licenciar o Freeport. No mesmo dia, um comunicado da PGR esclarecia que a carta rogatória inglesa que recebeu a 19 de Janeiro "não contém nenhum facto juridicamente relevante" para a investigação do caso Freeport, reiterando que não há arguidos ou suspeitos no processo.
Ao final da tarde de quinta-feira, o próprio primeiro-ministro reagia às notícias que têm sido divulgadas pela comunicação social, considerando estar a enfrentar uma "campanha negra" que tem como intuito afectar a sua honra e integridade e atingi-lo pessoal e politicamente, reafirmando não ser suspeito no caso.
O processo relativo ao espaço comercial Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002 através de um decreto-lei, quando José Sócrates, actual primeiro-ministro, era ministro do Ambiente.

