Pelo menos 1408 veículos incendiados, 395 pessoas detidas e 34 polícias feridos nos bairros mais desfavorecidos das principais cidades é o balanço de mais uma noite de violência em França. Estes são os números mais expressivos da últimas onze noites.
De acordo com as autoridades francesas, pelo menos dois polícias foram atingidos com armas de fogo, na região parisiense.
No decorrer de uma conferência de imprensa no Ministério do Interior, o director-geral da polícia nacional (DGPN), Michel Gaudin, precisou que a região parisiense - com 426 carros queimados, 18 dos quais em Paris - foi menos atingida do que as restantes cidades do país, onde foram incendiados 982 veículos.
As cidades mais atingidas fora da periferia de Paris foram Marselha, Saint-Etienne, Toulouse e Lille. Gaudin afirmou que os delinquentes provaram nas últimas noites a sua fúria “anti-institucional” ao queimarem ou danificarem vários edifícios governamentais.
O número total de carros queimados nestes onze dias de violência subiu para os 4700. A polícia já fez 1220 detenções.
O mesmo responsável da polícia avançou que muitos dos detidos são levados de imediato a tribunal e que as penas de prisão efectiva são cada vez mais aplicadas.
O incidente que fez detonar a violência nos bairros degradados de algumas das principais cidades de França aconteceu no dia 27 de Outubro, em Clichy-sous-Bois, perto de Paris, onde dois jovens que alegadamente estavam a fugir da polícia morreram electrocutados quando se tentavam esconder. Desde então, a violência tem-se propagado a outros bairros, onde o desemprego, a pobreza, o insucesso escolar e o sentimento de exclusão social marcam o dia-a-dia e criam uma mistura explosiva.


