Ferro Rodrigues discorda de medidas acordadas entre “troika” e Governo

27.05.2011 - 16:35 Por Ana Henriques
O candidato do PS que encabeça a lista por Lisboa, Ferro Rodrigues, admitiu ontem discordar de algumas medidas negociadas pelo Governo com a “troika”.
Num debate na Antena Um que reuniu todos os cabeças de lista pelo distrito, à excepção do social-democrata Fernando Nobre, que não esteve presente, o antigo ministro do Trabalho e Solidariedade criticou o aumento do IVA no gás e electridade, a revisão do Imposto Municipal sobre Imóveis e uma das alterações feita ao subsídio de desemprego.
O ex-secretário-geral do PS entende que tem de haver uma relação directa entre os descontos feitos para a segurança social pelo trabalhador, por um lado, e o subsídio de desemprego e outros benefícios sociais. Ou seja: quem descontou durante mais tempo deve ter direito a mais benefícios.
Ferro Rodrigues recordou que nenhuma das três medidas estava previsto no quarto Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC IV). “É bastante grave para muitos portugueses” o aumento da factura da luz, observou. Quanto à subida do IMI, “parece ter o perigo de ser qualquer coisa maximalista”, difícil de pagar por quem apenas tem casa própria porque contraiu empréstimo bancário. “Espero que o Governo em funções, sendo do PS, o impeça, porque há muita gente que não tem as casas pagas” à instituição bancária, recomendou.
Questinado pela jornalista Maria Flor Pedroso sobre por que é que o primeiro-ministro demissionário José Sócrates nunca disse nada de parecido, aquele que foi nos últimos seis anos embaixador de Portugal na OCDE retorquiu: “Está a discutir comigo, o cabeça de lista por Lisboa”.
Insistindo no argumento usado pelos dirigentes socialistas nesta campanha eleitoral de que se o PSD, se for eleito Governo, aproveitará a boleia das medidas da “troika” para destruir o Estado Social, Ferro Rodrigues acusou ainda os sociais-democratas de terem propostas “radicais”. “O PSD está à direita do CDS-PP no tipo de discurso e de propostas que faz ao país”, observou, dando como exemplo as polémicas declarações relacionadas com o aborto produzidas ontem pelo líder social-democrata, Pedro Passos Coelho.

