Ferro Rodrigues apela a que se evite "uma crise política que seria desastrosa"

21.03.2011 - 08:12 Por Lusa
O ex-secretário-geral do Partido Socialista e actual embaixador na OCDE, Ferro Rodrigues, considera que ainda há tempo para evitar uma crise política em Portugal e apelou a todos os responsáveis para travarem uma situação que seria “desastrosa” neste momento.
“A vontade política de todos é essencial. Ainda há tempo para evitar uma crise política desastrosa, em vésperas de uma Cimeira Europeia determinante (...) e a um mês da necessidade imperiosa de obter financiamentos fundamentais” para a normal actividade do Estado e da economia em geral, diz Eduardo Ferro Rodrigues, numa declaração feita hoje à Agência Lusa.
O ex-secretário-geral do PS sustenta que “este é o pior momento para que se abra uma crise política, levando a que só daqui a cerca de três meses haja um parlamento e um governo com todos os poderes constitucionais” e lembra que as instituições internacionais, da União Europeia ao FMI, passando pela OCDE, acompanham “com grande atenção” o que se passa em Portugal.
Mais importante do que “apurar as responsabilidades” por se ter chegado “a esta situação política”, afirma, é “ultrapassar as actuais dificuldades”.
O actual embaixador de Portugal na OCDE defende que “Portugal tem que ter uma presença digna e activa na próxima Cimeira Europeia” e que tem que ser defendida a “capacidade de financiamento do Estado e da economia em condições minimamente aceitáveis para o médio prazo”.
Repetindo que “não faz sentido pensar que não há tempo”, Ferro Rodrigues apela à vontade política de defender o interesse nacional.
“Espero que os responsáveis do Estado Português, Presidente da República, Assembleia da República, Governo, travem o caminho para um beco sem saída e respondam positivamente a este desafio”, acrescenta.
A actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) deve ser elaborada até finais de Abril, com iniciativa do Governo, não oposição do Parlamento, e garantia de apoio da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, recorda o antigo dirigente socialista.

