Ferreira Leite vs Sócrates: “Como quer que confie naquilo que propõe?”

10.02.2010 - 11:55 Por Nuno Simas
O frente-a-frente Manuela Ferreira Leite-José Sócrates azedou mal o primeiro-ministro acabou o discurso de abertura do debate do Orçamento do Estado no Parlamento. Tudo porque Sócrates não tinha dito “uma palavra”, acusou a líder do PSD, sobre o maior problema de Portugal: o endividamento externo do país. “Deve ser lapso meu...”, afirmou, lembrando que foram as medidas prometidas pelo Governo nessa área, no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que justificaram a abstenção do PSD.
Manuela Ferreira Leite apontou o dedo para acusar o chefe do Governo de não se importar com “grandes encargos” – “mesmo que eles nos endividem, desde que eles não tenham expressão orçamental”.
O primeiro-ministro, concluiu, está “fora da realidade”. “Como quer que confie naquilo que o senhor está a propor se na apresentação do Orçamento omite o grande problema do país e aquele em que se baseia a viabilização do orçamento por parte do PSD?” Até parecia que o PSD iria votar contra o orçamento e não abster-se para viabilizar o documento.
"Anda distraída", respondeu Sócrates. Que insistiu na tese de que a maneira de combater o endividamento é reduzir a dependência energética do exterior e apostar nas energias renováveis, por exemplo. E apostar no aumento das exportações.
A Francisco Assis, líder parlamentar do PS, coube depois a primeira crítica à oposição, e em especial ao PSD, por ter aprovado uma lei das Finanças Regionais com impacto orçamental. Tema retomado mais à frente no debate, no frente-a-frente com o líder do CDS-PP, Paulo Portas.

