Ferreira Leite: redução na prestação da casa para desempregados pode ser "anúncio bastante negativo" 
19.03.2009 - 10:47 Por Lusa
A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmou hoje em Bruxelas que a redução na prestação da casa para desempregados é mais "um anúncio" do Governo que não sabe se será concretizado, e que até poderá ser "bastante negativo".
Afirmando que já está "habituada a que haja muitos anúncios sem qualquer espécie de concretização", a presidente do PSD disse que necessita de ver como é que o Governo de José Sócrates tenciona concretizar essa medida e alertou que a mesma "pode criar problemas às famílias muito mais graves do que aqueles com que se debatem hoje".
Na véspera, o primeiro-ministro anunciou na Assembleia da República que as famílias com desempregados vão beneficiar de uma redução de 50 por cento com a prestação da casa, tendo Sócrates explicado que o seu executivo, em conjunto com as instituições financeiras, vai criar uma "moratória nas prestações de crédito à habitação", que se poderá prolongar por dois anos e que pode ser requerida até ao fim deste ano.
Manuela Ferreira Leite advertiu que a medida poderá ter um impacto "bastante negativo se, por exemplo, as famílias tiverem que, obrigatoriamente, devolver esse dinheiro daqui a dois anos".
"Não sabemos como é que está a situação daqui a dois anos, não sabemos como é que está a situação das famílias, e, portanto, se isso for assim é negativo", afirmou.
A líder social-democrata insistiu todavia que é necessário esperar para ver se a medida é efectivamente implementada, e quantas pessoas abrangerá, pois duvida da materialização dos anúncios do Governo.
"Ainda há bem poucos dias vimos o anúncio daquela iniciativa sobre os painéis solares, achámos era uma medida que poderia de alguma forma fomentar algum crescimento na economia e alguma resolução do problema do emprego, que poderia ser uma ajuda às famílias ou às empresas, e passadas poucas semanas percebeu-se que se tratava de uma ajuda a apenas duas empresas, quando em Portugal existem 4000 empresas nesta área", apontou.
Manuela Ferreira Leite falava em Bruxelas, onde hoje vai participar na mini-cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), que antecede a chamada Cimeira da Primavera, o Conselho de chefes de Estado e de Governo da União Europeia que, entre hoje e amanhã, vai discutir a resposta europeia à actual crise financeira e económica.

