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Assembleia geral da Associação Comercial do Porto

Ferreira Leite promete lutar contra os investimentos públicos e acusa Governo de eleitoralismo

09.03.2009 - 22:56 Por Margarida Gomes

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Segundo a líder social-democrata o país vai "empobrecer" com esta estratégia Segundo a líder social-democrata o país vai "empobrecer" com esta estratégia (Adriano Miranda (arquivo))
A líder do PSD, Manuel Ferreira Leite, disse esta noite no Porto que vai lutar até onde puder para travar os grandes investimentos públicos que o Governo tem em carteira, porque “investimentos desta natureza, com a actual situação de forte endividamento do país, só serve para nos empobrecer”.

“Não me vou calar mesmo que as primeiras pedras, os primeiros projectos e as primeiras iniciativas sejam tomadas sobre essa matéria, pois precisa de ser avisado de que há um empobrecimento sério do país se eles forem por diante”, afirmou a dirigente social-democrata durante um jantar no Palácio da Bolsa, promovido pela Associação Comercial do Porto (ACP), no âmbito da assembleia geral que aprovou as contas da instituição.

Perante mais de uma centena e meia de convidados, onde se destacavam o presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte, empresários, deputados, autarcas, dirigentes associativos, presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte e autarcas, Ferreira Leite explicou “os variadíssimos motivos” por que considera que os grandes investimentos públicos não são uma prioridade. “São investimentos com uma componente de importação pesadíssima, ou seja, servem para nos endividar mais, são projectos que têm consequências de encargos futuros pesadíssimos que ninguém sabe quais são, quando o nosso país já está com no encargo no futuro extremamente pesado, não sei com se exporta mais e ainda por cima não cria emprego em Portugal. E mesmo que criasse muito emprego, não criava hoje”.

Embalada pelas críticas, a dirigente do PSD acusou o Governo de estar a adiar o pagamento das suas dívidas às empresas por motivos exclusivamente eleitorais. "Não consigo desligar este adiamento do pagamento das dívidas do facto de haver eleições em Junho", afirmou, considerando que "o anúncio recente de que este processo foi adiado para Maio/Junho" é sinal disso mesmo. Para Ferreira Leite "isto é a primeira prestação, a segunda, está-se mesmo a ver, será em finais de Setembro".

Discordando desta estratégia, Manuela Ferreira Leite considerou que "não é possível fazer política e resolver os problemas do país na base de calendários eleitorais". "Nem é possível resolver os problemas do país com base em técnicas que podem dar muitos votos mas poucos benefícios trazem aos cidadãos. Não tenho dúvidas de que se o pagamento das dívidas for adiado para Maio/Junho e Setembro muitas empresas já não sobrevivem nesses momentos", afirmou.

Também o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, se insurgiu contra a estratégia do Governo de “apostar primordialmente” no investimento público para recuperar a economia. O empresário fez um diagnóstico muito negro da crise na região Norte. “O país vai mal. O Norte vai de mal a pior”, declarou. Estava lançado o pretexto para se lançar na defesa da regionalização. “Eu sei que não gosta nem de ouvir falar de regionalização. Mas compreenda que quem aqui vive já não acredita nas promessas da descentralização, nas panaceias da evolução dos poderes, nas políticas sectoriais à medida. Não, nós já não acreditamos”, disse o presidente da ACP.

Dentro do um mês, haverá uma nova assembleia geral para eleger a nova direcção.

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