Defende renegociação dos prazos com a troika

Ferreira Leite lamenta “poucas notícias” sobre cortes na despesa pública

11.01.2012 - 09:06 Por Romana Borja-Santos

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"Não é possível pensar que vamos crescer com a taxa de desemprego que temos", disse Ferreira Leite "Não é possível pensar que vamos crescer com a taxa de desemprego que temos", disse Ferreira Leite (Foto: Pedro Cunha)
A antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite considera que “Portugal está numa situação muito má” e que “é impensável consolidar as contas públicas” no prazo acordado com a troika sem medidas de ajustamento. Para a social-democrata têm faltado, por parte do Governo, cortes na despesa pública, nomeadamente do que diz respeito às fundações, às parcerias público-privadas e à administração local.

Manuela Ferreira Leite, que falava ontem à noite no programa Contra Corrente da SIC Notícias, defende, também, que é necessário equilibrar as medidas necessárias com a preparação do país para o crescimento, justificando que não basta convencer os credores de que queremos cumprir as metas acordadas com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

Nesse sentido, Ferreira Leite insiste na importância de o país “criar riqueza” e refere-se ao mais recente relatório do Banco de Portugal para dizer que, “se a evolução económica vai ser pior, significa que as consequências [das medidas] estão a ser cada vez mais gravosas”. Além disso, a antiga ministra das Finanças de Durão Barroso entende que não basta a Europa crescer para Portugal acompanhar esse desenvolvimento: “Não é possível pensar que vamos crescer com a taxa de desemprego que temos – que só pode manter-se ou agravar-se”.

O Banco de Portugal (BdP) divulgou na terça-feira o Boletim Económico de Inverno, no qual reviu em baixa as projecções para a economia portuguesa em 2012. Depois de uma recessão mais controlada do que o previsto no ano passado (-1,6% em vez de 1,9%, segundo o BdP), a economia vai sofrer este ano “uma contracção sem precedente [3,1%] da actividade económica e da procura interna”. Contudo, a recessão poderá ser ainda pior se o crescimento mundial desacelerar mais e se forem tomadas medidas adicionais de austeridade, avisa a instituição.

Ferreira Leite reitera, neste sentido, que o Governo deve negociar “um alargamento do prazo” com a troika, sob pena de não cumprirmos as metas do défice. “Penso que a troika não aceitará mais medidas extraordinárias (...). Um aumento de impostos já não dá proporcionalmente um aumento de receita. Não havendo receita temos de nos virar obviamente para a despesa e aí têm havido pouca coisa. Há dois ou três pontos que já devíamos ter notícias sobre eles, como as parcerias público-privadas, as fundações e a administração local”, diz.

Ainda a propósito do crescimento do país, Ferreira Leite destaca “um ponto altamente prejudicial” para a economia: “Com a instabilidade legislativa em que estamos não é possível captar-se investimento estrangeiro, quando não há ninguém que possa dizer qual é o regime fiscal que vai vigorar no próximo ano”, afirma, em referência também à dificuldade em encontrar resposta a estas perguntas no Orçamento do Estado para 2012.

A título de exemplo, Ferreira Leite refere a lei do tabaco, lembrando que agora se discute uma proibição total de fumar em espaços fechados, quando muitos restaurantes com a nova lei “fizeram investimentos para criar zonas para fumadores” e que agora se vão traduzir em “desperdício”. “E isto não tem nada a ver com troikas e com crises orçamentais”, lembrou.

Num momento do debate em que se discutia o caso Jerónimo Martins e a sua passagem para a Holanda, Ferreira Leite critica quem aponta o dedo à empresa. “Não podemos estar a defender a internacionalização, a expansão e o desenvolvimento das empresas e quando alguém corresponde dizermos que é um vendido”, diz, acrescentando que estas opções vão provavelmente fazer com que a empresa consiga solidificar-se no estrangeiro e manter os postos de trabalho em Portugal, numa altura em que haverá decréscimo do consumo privado.

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Políticos, o grau mais baixo dos desprezíveis

Todos sabem falar no corte das despesas do Estado quando não estão no poder, mas assim que lá ...

SM

13.01.2012 09:47

X

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