Ferreira Leite falou a Portas sobre Nogueira Pinto

06.08.2009 - 10:26 Por Nuno Simas, com Filomena Fontes
Foi um conselho nacional do PSD quente, que acabou já na madrugada de ontem e com marcas de divisão na votação para as listas de deputados do PSD. Contestadas por várias distritais, as candidaturas acabaram por ser aprovadas com 59 votos a favor e 37 contra. Uma votação desdramatizada pela direcção, que fala numa clarificação no partido.
Maria José Nogueira Pinto, a ex-deputada do CDS, acabou por estar no centro do debate e da controvérsia. E que serviu para a líder do partido enviar um sinal ao partido de Paulo Portas - a escolha de Nogueira Pinto não é sinal de hostilização aos centristas. Aos conselheiros, garantiu que foram tomadas as medidas necessárias para que o gesto não fosse entendido como tal. O PÚBLICO apurou que Manuela Ferreira Leite falou a Portas, seu ex-companheiro no Governo PSD/CDS, sobre Maria José, número quatro na lista de Lisboa. Afinal, num cenário em que o PSD vença as eleições de 27 de Setembro sem maioria absoluta, Portas pode ser parceiro para um entendimento, embora Ferreira Leite não exclua um governo minoritário.
A hostilização ao CDS tinha sido colocada por Pedro Passos Coelho, excluído por Ferreira Leite das listas de deputados, numa intervenção muito crítica quanto às linhas programáticas do programa eleitoral e aos critérios de escolha de candidatos a deputados - "um líder do partido não pode pensar que é dono do partido". É aqui que entra Maria José Nogueira Pinto. Uma escolha que é "uma desilusão". "Não devíamos hostilizar o CDS", defendeu.
Deputados avaliados
Já depois da reunião, Pedro Passos foi mais duro e disse que era um "sinal errado". Pelo apoio de Nogueira Pinto ao socialista António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, contra Santana Lopes, o candidato do PSD.
O mesmo tom crítico foi usado por Carlos Carreiras, presidente da distrital lisboeta, que, aos conselheiros, classificou como "traição" a escolha da ex-provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Nogueira Pinto partilhou, assim, o palco da reunião com Pedro Passos e Miguel Relvas, os excluídos das listas. "Uma vergonha", reclamou Pedro Pinto numa intervenção inflamada aos conselheiros. Mas a decisão política quanto a Passos estava tomada e era consensual entre os membros da comissão permanente, apurou o PÚBLICO. Porque, voltando a um cenário de vitória, com um governo minoritário, o partido precisa de um grupo parlamentar coeso. Além disso, a decisão de Ferreira Leite também passou por uma avaliação, um a um, dos deputados que passaram pelo Parlamento, feita pelos dois líderes parlamentares - Luís Marques Guedes e Paulo Rangel. Um método novo que ajuda a explicar a "recuperação" de deputados próximos de Santana Lopes (Rosário Águas e Miguel Almeida) e de Passos Coelho (Pedro Duarte, excluído pela distrital, mas escolhido pela líder para o Porto).
PS reage, Portas irónico
Uma decisão simbólica da renovação das listas foi a saída, da lista de Braga, de Virgílio Costa, deputado e líder da distrital, que teve uma má avaliação e recebeu o título de um dos deputados mais faltosos. E foi Ferreira Leite a comunicar-lhe a decisão de exclusão. Ao PÚBLICO, elogiou a forma "coerente e corajosa" como a líder do partido conduziu o processo das listas de deputados e desdramatizou a sua exclusão. A sua idade e problemas de saúde levaram-no a concluir que "este é o momento" para se entregar "às tarefas políticas do distrito".
O porta-voz do PS, Tiago Silveira, deu uma conferência de imprensa para criticar a falta de ideias do PSD e das linhas principais do seu programa eleitoral - "página e meia de generalidades que diz zero" ao país. Já Paulo Portas não comentou a escolha de Nogueira Pinto para as listas, mas lembrou que o CDS, ao contrário do PS e do PSD, não excluiu opositores das listas.

