Esta é a semana decisiva no PSD para a escolha dos candidatos a deputados às eleições de Setembro. As distritais já indicaram os nomes e os nervos andam à flor da pele de muitos dirigentes sociais-democratas.
Amanhã, a direcção de Manuela Ferreira Leite faz uma maratona de reuniões - primeiro a comissão permanente, depois a comissão política e, à noite, o conselho nacional - para uma escolha que pode causar amargos de boca a algumas das "famílias" do partido. Às distritais pediu nomes que respeitassem critérios como a competência ou a renovação. Ao que apurou o PÚBLICO, Ferreira Leite quer uma renovação profunda relativamente ao grupo parlamentar escolhido em 2005.
Vila Real, onde a distrital escolheu Pedro Passos Coelho, ex-adversário de Ferreira Leite na corrida à liderança, ameaça ser uma das dores de cabeça, já que a escolha não seria pacífica, mesmo entre os membros da comissão política. Nesta fase, não há certeza de Passos Coelho vir a encabeçar a lista.
Revolução em Lisboa...
Em Santarém, o nome proposto para número um da lista é Miguel Relvas, um apoiante de Passos. Se optar por Pedro Passos, não será a primeira vez que Ferreira Leite contraria a opinião do seu núcleo duro: fê-lo nas europeias com Paulo Rangel. Segundo os estatutos, e independentemente das sugestões das distritais, cabe à direcção escolher os candidatos a deputados, que depois terão de ser aprovados em conselho nacional.
Um dos exemplos de renovação mais radical pode ser o distrito de Lisboa. Há quatro anos, o PSD elegeu 12 deputados num cenário de derrota. Da lista faziam parte personalidades que não repetem a candidatura. Por exemplo, Santana Lopes, que agora concorre à câmara da capital, o ex-ministro Dias Loureiro, Nuno da Câmara Pereira e Pedro Quartin Graça, eleitos pelo PPM e MPT, que não renovaram o acordo com o PSD. Em dúvida estão Pedro Pinto, Helena Lopes da Costa, Henrique Freitas ou ainda Luís Marques Guedes, actual secretário-geral social-democrata, que poderá ser cabeça de lista noutro distrito.
E é no círculo da capital que dirigentes da distrital lisboeta admitem que a direcção queira candidatar alguns independentes que Ferreira Leite consiga atrair para as listas. Apesar de todo o secretismo, Lisboa é um dos distritos em que o cabeça de lista é natural: a líder, Manuela Ferreira Leite. Consideradas seguras são as candidaturas dos vice-presidentes José Pedro Aguiar Branco pelo Porto (já foi em 2005) ou Paulo Mota Pinto por Coimbra (uma estreia).
... e os filhos candidatos
Em Aveiro, vagam os lugares de Marques Mendes, o ex-líder que recusou voltar a ser candidato, Hermínio Loureiro, candidato autárquico, e Regina Bastos, actual eurodeputada. Em Braga, o cabeça de lista foi, mas não voltará a ser, Luís Filipe Menezes.
Ferreira Leite terá de tomar outras decisões. Por exemplo, se aceitará ou não a colocação de filhos de autarcas nas listas de deputados, indicados pelas concelhias e distritais para lugares elegíveis. São três os casos: o filho de Fernando Reis (Barcelos), o de Luís Filipe Menezes (Gaia) e o de Carlos Encarnação (Coimbra).
Com poucas fugas de informação sobre o sempre complexo processo de escolha de nomes, Ferreira Leite concentrou em si este dossier, partilhando-o com poucos dirigentes, entre eles Marques Guedes. Há distritais descontentes com a estratégia seguida pela líder, considerando existir marginalização. E, além disso, Ferreira Leite tem ouvido informalmente dirigentes e personalidades fora do círculo das distritais.


