Ferreira Leite diz que tem partido "absolutamente motivado" para combate eleitoral

11.08.2009 - 15:29 Por Lusa
Manuela Ferreira Leite disse hoje que tem o partido "absolutamente motivado" e que está "orgulhosa" pela "preocupação" com as listas de candidatos a deputados, mas defendeu que os portugueses se devem concentrar em "problemas nacionais" como o do Eurojust.
Questionada pelos jornalistas no final de uma audiência com representantes das comunidades portugueses sobre a polémica gerada no PSD pelas listas aprovadas na semana passada, a presidente do PSD considerou que parte "com um partido absolutamente motivado para o combate eleitoral".
"Não tencionava que as listas fossem a ilusão de alguns, com certeza que é sempre a desilusão de muitos", afirmou, referindo que "aquilo que mais a espanta é que haja tanta preocupação" com o tema.
"Fico até sensibilizada com esse facto, nunca vi em relação a nenhum outro partido tanto escrutínio em relação às listas, eu fico orgulhosa com isso, significa que o PSD neste momento é uma verdadeira alternativa", declarou Ferreira Leite.
Contudo, a líder 'laranja' sublinhou que as listas são um problema interno e que "não gostaria que fossem um pretexto para esquecer os problemas nacionais", como o caso do Eurojust, que envolve o procurador Lopes da Mota.
"Os problemas nacionais são os que devem interessar a todos os portugueses, e eu pergunto: Já nos esquecemos que não temos resposta para a questão do Eurojust? Como está essa questão? Como está o facto de termos uma pessoa que está a representar mal Portugal, que está a humilhar as instituições internacionais, que está acusada de uma forma grave de manipular o sistema de Justiça?", interrogou a líder social-democrata.
"Sobre isso calámo-nos todos, eu estou à espera da resposta e espero que os portugueses também estejam porque isto é que são as questões nacionais, vamos pôr as coisas no verdadeiro ponto em que devem estar (…) é isto que vai estar em causa nas próximas eleições", acrescentou.
O inquérito a Lopes da Mota, mais tarde convertido em processo disciplinar, foi instaurado a 18 de Maio, por causa de alegadas pressões exercidas por Lopes da Mota sobre os magistrados responsáveis pela investigação do caso Freeport.
Falando sobre o caso de António Preto, a líder do PSD afirmou que "não foi a única pessoa" a incluir António Preto nas listas de candidatos a deputados e defendeu que se o excluísse estaria a "antecipar-se" em relação à Justiça.
Manuela Ferreira Leite lembrou que António Preto é "alguém que é deputado" e que já é deputado "há mais de uma legislatura".
"Não sou a única pessoa que o incluiu como arguido, já na anterior lista isso foi feito e ninguém disse nada, isso é um aspecto fundamental", disse.
A presidente social-democrata notou que Preto "não está acusado de nada no exercício de funções públicas" e que "as leis que falam sobre a matéria são todas exclusivamente relacionadas com actos que alguém tenha praticado no exercício de funções públicas".
"Não é o caso, são casos de natureza privada sobre os quais eu não tenho que me pronunciar, tenho apenas que esperar aquilo que legitimamente todos devem esperar que é a decisão da Justiça, eu não tenho o direito de me antecipar dando eu a minha própria sentença", advogou.
Questionada novamente pelos jornalistas sobre se este caso poderia afectar a "política de verdade" utilizada como 'slogan' do partido Ferreira Leite foi lacónica: "Em nome da verdade eu não tomo atitudes que considero incorrectas do ponto de vista ético e político", concluiu.
O deputado do PSD António Preto, acusado de fraude fiscal qualificada e falsificação de documento no processo conhecido como o "caso da mala", tem julgamento marcado para 27 de Outubro, nas varas criminais de Lisboa.
António Preto, que foi deputado na legistatura que agora findou, está acusado de falsificação de documento e fraude fiscal qualificada, em co-autoria, num processo que ficou conhecido como o "caso da mala".

