Ferreira Leite diz que Sá Carneiro "não estaria numa orientação diversa" da actual liderança

04.12.2009 - 15:10 Por Lusa
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, manifestou-se hoje convicta de que, se ainda presidisse ao partido, Francisco Sá Carneiro “não estaria numa orientação diversa” daquela que é defendida pela actual liderança social-democrata.
Para Manuela Ferreira Leite, que falava no final de uma missa em memória do fundador do partido, o PSD mantém “intacta a linha de orientação” fundamental definida por Francisco Sá Carneiro - que morreu há 29 anos na queda do avião em que seguia.
“Estou convencida de que o doutor Sá Carneiro, se cá estivesse, não estaria numa orientação diversa daquela que temos estado a dar ao partido (…) Sá Carneiro, que continua a ser a referência do nosso partido, não deixaria de pedir aquilo que nós temos andado a defender para o país”, considerou.
E acrescentou: “Aquilo que o doutor Sá Carneiro definiu como linha orientadora fundamental era que os interesses do país deviam estar sempre acima dos interesses do partido e eu estou convicta de que temos feito sempre isso e que os princípios fundamentais da social-democracia, de humanismo, de solidariedade, têm estado sempre presentes na política que o PSD tem desenvolvido e nas propostas que temos feito ao país”.
Manuela Ferreira Leite lembrou, de resto, a discussão interna sobre “debate político e ideologia do partido” já iniciada no âmbito do Instituto Francisco Sá Carneiro.
“A primeira sessão já demonstrou que os conteúdos, os objectivos e aquilo que foi defendido, nomeadamente pelo doutor Balsemão, são aqueles princípios que estão contidos, nomeadamente no nosso programa eleitoral e isso para nós é um conforto que mantemos intacta a linha de orientação do partido, com os respectivos ajustamentos ao momento político que se vive”, referiu.
No entender da líder social-democrata, o programa do PSD “ajusta-se exactamente àquilo que o país precisa”, embora “com as devidas adaptações” impostas pelo “período de altíssima gravidade política e económica” que o país atravessa.
Quarta-feira, no debate promovido pelo Instituto Francisco Sá Carneiro sobre os desafios que se colocam ao PSD, 35 anos depois da sua fundação, o fundador e ex-presidente do PSD Francisco Pinto Balsemão defendeu que o partido está num “impasse” ideológico, sendo difícil actualmente identificar “o que distingue verdadeiramente o PSD”, qual a sua “identidade ideológica”, quais os seus “grandes temas e causas”.
"Temos de sair deste impasse, sob pena de caminharmos para um suicídio colectivo", concluiu o presidente do grupo Impresa e ex-primeiro-ministro, dizendo que quem analisar "a composição ou decomposição" do eleitorado do PSD "verificará que essa é a tendência".
Na missa em memória de Sá Carneiro, celebrada na basílica da Estrela, em Lisboa, estiveram ainda presentes ex-líderes do partido como Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes.

