Crise social-democrata

Ferreira Leite disponível para candidatura de união no PSD

18.04.2008 - 07:02 Por Leonete Botelho, São José Almeida

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Manuela Ferreira Leite tem feito o seu caminho para avançar no PSD Manuela Ferreira Leite tem feito o seu caminho para avançar no PSD (Fernando Veludo/PÚBLICO)
Foi o dia mais longo da curta liderança de Luís Filipe Menezes e acabou com a sua saída de cena. “Para mim, chega, basta”, proclamou o presidente do PSD, numa conferência de imprensa às 21h30 em que marcou eleições directas para dentro de pouco mais de um mês.

De manhã, a revista "Visão" dava à estampa uma entrevista de José Pedro Aguiar-Branco em que este declarava estar pronto a reunir as 2500 assinaturas para convocar um congresso antecipado. À tarde, Menezes reunia a comissão política nacional de onde sairia a declaração do líder. À noite, pouco antes da conferência de imprensa de Menezes na sede do partido, António Borges afirmava na RTP que Manuela Ferreira Leite “tem capacidade para mobilizar as pessoas” e que é a sua preferida.

O PÚBLICO sabe que, de facto, Manuela Ferreira Leite pode vir a liderar uma “candidatura federadora” no PSD. A disponibilidade desta conselheira de Estado e ex-ministra dos governos de Cavaco Silva para liderar o partido a tempo das eleições legislativas de 2009 é já há algum tempo conhecida de alguns dirigentes históricos e figuras proeminentes do partido e é bem recebida por vários sectores do PSD. A eventual manifestação pública de uma candidatura à liderança por parte de Manuela Ferreira Leite não estava, no entanto, prevista para o curto prazo, até porque, para a maioria das figuras com peso no PSD, este não era o momento para mudar de líder. O timing preferido para o lançamento de uma candidatura ganhadora era só depois do Verão, na chamada rentrée política. Mas ontem o anúncio de eleições directas baralhou todos os calendários. Até ontem, era quase unânime, entre os sectores que se opõem a Luís Filipe Menezes, que até Fevereiro ou Março de 2009, o PSD tinha de estar preparado para disputar eleições, ou seja, com o problema da liderança resolvido. Até porque o grande drama, para os quadros do partido, é a elaboração das listas dos deputados para garantir um grupo parlamentar forte para os próximos anos e, pelo menos, retirar a maioria absoluta ao PS.

Mas Ferreira Leite não avançará sozinha. Premissa para o seu avanço é que a sua candidatura apareça como um movimento colectivo, que reúna o apoio de vastos sectores e personalidades do PSD. E que surja como uma espécie de movimento de salvação do partido, uma candidatura federadora e de unidade, que devolva credibilidade política ao PSD. Entre as personalidades do PSD ouvidas pelo PÚBLICO é consensual o entendimento de que a própria Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer o seu caminho para a liderança e que tem dado sinais da sua disponibilidade para assumir a liderança, quer na palestras e reuniões que tem feito com militantes do partido, quer nas criticas públicas que tem feito a Luís Filipe Menezes. Ainda há pouco mais de uma semana demarcou-se de forma peremptória da proposta de uma nova Constituição para o país.

Calendário para o líder

Acossado pelas críticas, Menezes pediu directas no próprio dia em que o primeiro crítico (Aguiar-Branco) afirmou que iria pedir um congresso extraordinário. “Reconheço que não consegui vencer estas contrariedades [críticas internas no partido] e assumo a inteira responsabilidade. Para mim chega, basta”, sublinhou. “Vou solicitar, na próxima semana, ao Conselho Nacional, que convoque directas para 24 de Maio. Não estou na corrida”, afirmou em conferência de imprensa.

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