A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, deu hoje "graças a Deus" porque "passou a era dos comícios" e defendeu ser impossível que algum grupo de assessores consiga "transformar Sócrates em Obama".
As declarações de Manuela Ferreira Leite foram feitas no final de uma sessão sobre a utilização da Internet na comunicação política e na campanha eleitoral do PSD, que decorreu na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.
Comentando a ideia defendida pelo cabeça-de-lista do PSD, Paulo Rangel, de que as redes sociais da Internet puseram fim à "sociedade de massas" e iniciativas como os comícios perderam importância, Manuela Ferreira Leite declarou-se agradecida por essa mudança.
"Quando comecei a fazer política ainda estávamos na base dos comícios, como disse o Paulo Rangel. Devo dizer que se tivesse que fazer se neste momento algum comício seria a maior das violências que me poderiam pedir. Acho que o jeito que eu tinha para fazer um comício era nulo. Graças a Deus que passou a era dos comícios", observou.
O cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, interpelou Manuela Ferreira Leite neste ponto para lhe dizer que "ainda há alguns" comícios, e ouviu como resposta: "Ainda há alguns, mas vamos ver se nos escapamos deles".
Ainda sobre a comunicação política, a presidente do PSD disse: "Não tenho pena de não ter assessores do Obama porque tenho aqui pessoas e muito mais-valia do que isso. E porque também estou convencida de que não são os assessores que resolvem nada". "É impossível haver algum grupo de assessores que transforme o Sócrates em Obama", acrescentou.
A presidente do PSD considerou que actualmente os novos meios de comunicação "são fundamentais", mas defendeu que os políticos não podem por enquanto "deixar de comunicar com a maior parte da população que não tem acesso a eles".
"Eu, por exemplo, estou absolutamente convencida de que os cartazes nunca conseguem um voto, mas provavelmente perder-se-iam milhares de votos se não houvesse os cartazes. Aí todos somos subjugados e lá pomos os cartazes. Daqui a uns anos provavelmente já não haverá cartazes, já não haverá televisões, haverá só estas novas redes sociais", anteviu.
Segundo Manuela Ferreira Leite, a interactividade "é um aspecto muitíssimo enriquecedor", que aprofunda a democracia.
"Os Governos deixaram de governar para as pessoas, têm que governar com as pessoas e se não o fizerem estão a violar uma parte essencial da democracia", defendeu, dizendo que enquanto presidir ao PSD estará sempre disposta a ouvir todos.
No início da sessão, o director de campanha do PSD, disse que "em pouco mais de três semanas" Manuela Ferreira Leite, reuniu "sete centenas de apoiantes no Facebook", enquanto Paulo Rangel está "há uma semana" no Facebook e "tem já seis centenas de apoiantes".
De acordo com Agostinho Branquinho, com as legislativas em mente, o PSD pretende "aproveitar o facto de haver eleições europeias pelo meio como laboratório para testar soluções de inovação" em termos de comunicação através da Internet.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.


