Ferreira Leite adapta e atira “direito à indignação” de Soares contra o PS

24.09.2009 - 00:24 Por Filomena Fontes, Nuno Simas
Manuela Ferreira Leite adaptou a expressão do direito à indignação, usada por Mário Soares quando era Presidente, para apelar aos jovens a terem coragem de o fazer. “Indignem-se e mostrem que há apenas uma solução: o voto no PSD”, afirmou a líder do PSD num encontro com cerca de 300 jovens esta quarta-feira à noite em Santa Maria da Feira.
Foi também aos jovens que pediu “coragem” para libertarem o país. “Mostrem a vossa indignação pelo estado de condicionamento” e mostrem que “têm coragem”, desafiou, lembrando que essa atitude é “fundamental para a saúde da democracia”.
A sombra de Mário Soares e dos seus ataques à líder social-democrata pairou em Santa Maria da Feira. Alexandre Relvas, o orador convidado para este encontro de juventude, devolveu, com as mesmas palavras, as acusações do líder histórico do PS a Ferreira Leite.
“Utilizando, com adaptações, a linguagem de Mário Soares, José Sócrates, ao continua a defender a sua política económica, é fanático e está a ser irresponsável”, disse.
Alexandre Relvas e Ferreira Leite utilizaram os mesmos argumentos quando questionaram as políticas do Governo do PS que hipotecam as gerações futuras. “Este primeiro-ministro, que se diz moderno e de futuro, abandonou os jovens” que estão no desemprego, acusou.
Tal como Marcelo Rebelo de Sousa fez no fim-de-semana, o ex-director de campanha presidencial de Cavaco Silva vaticinou que se o PS ganhar com minoria o país será chamado a votos de novo dentro de dois anos, criando uma instabilidade política. Agitou igualmente o perigo de uma aliança com o BE, “a que Mário Soares e Manuel Alegre já deram o seu aval” para desafiar o líder socialista a dizer qual seria “a metade do PS” a mandar no Governo. Tentando demonstrar que só o voto no PSD desalojará Sócrates de São Bento, pediu o voto dos eleitores do PP. “O voto certo é no PSD”, insistiu.
Manuela Ferreira Leite recuperou a tese do “projecto pessoal” de poder de que acusou Sócrates há uma semana nos Açores e acrescentou-lhe um argumento. Trata-se, agora, de “um projecto pessoal pelo qual faz uma luta de vida ou de morte”, utilizando “todos os meios de campanha, tomando atitudes impróprias”. Só não disse quais.

