Ferreira Leite acusa Sócrates de transformar Estado numa “máquina ao serviço do poder”

30.08.2009 - 13:41 Por Romana Borja-Santos
Mais dívidas, mais pobreza e mais injustiça social. Foi desta forma que a presidente do PSD resumiu os efeitos dos quatro anos e meio de governação socialista. Manuela Ferreira Leite acusou também o primeiro-ministro, José Sócrates, de ter transformado o Estado numa “máquina ao serviço do poder” e de apenas ter sacudido o país com uma “tempestade de pretensas reformas”. Sobre o programa social-democrata, explicou que o principal objectivo será reduzir o peso do Estado.
Durante o seu discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide, a líder social-democrata lamentou também a “prepotência de uma maioria absoluta que não soube aproveitar as excelentes condições que teve para governar” e que se apoiou numa “gigantesca máquina” para “iludir e ocultar” a verdadeira situação do país.
Com diversas referências à “sociedade civil”, Ferreira Leite disse compreender “a tensão social e a crispação” dos últimos anos, que só teve “paralelo na arrogância do Governo”. E falou numa verdadeira “asfixia democrática” – uma expressão que já tinha sido usada pela líder durante a apresentação do programa eleitoral do PSD.
Sobre o programa do PS, Ferreira Leite sublinhou que “quem promete tudo é porque não sabe o que faz” e lamentou também que se chegue ao final da legislatura socialista com o “sabor amargo da oportunidade perdida”. Depois, criticou as leis aprovadas no Parlamento em clima de “confronto e crispação”, por os socialistas não saberem ouvir opiniões dissonantes. Na sala estava o cabeça-de-lista do PSD por Braga, João de Deus Pinheiro, que na quinta-feira se pronunciou a favor de um Governo de Bloco Central.
Ferreira Leite assegurou, por oposição, que se apresenta ao país com uma “ambição realista”. E acrescentou: “O nosso programa não se trata de um enunciado de medidas”. Prometeu ainda que não vai “impor a vontade da lei onde devia prevalecer a vontade individual” – em referência às instituições do casamento e da família e a diplomas como o do divórcio, aprovado pelo PS. Ferreira Leite dedicou uma boa parte do seu discurso a explicitar o que pretende com a redução do peso do Estado e esclareceu que esta medida nunca será cumprida à custa da “redução dos direitos dos cidadãos”. O objectivo, disse, é que haja “educação, saúde pública, Segurança Social, e inclusão” para todos de forma “sustentável”.
Antes de Ferreira Leite discursaram o presidente da JSD, Pedro Rodrigues, e o director da Universidade de Verão, Carlos Coelho.
Notícia actualizada às 15h00

