Jantar de casa cheia em Aveiro

Ferreira Leite acusa Sócrates de bloquear o país pelo medo

19.09.2009 - 09:01 Por Filomena Fontes, Nuno Simas

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"Medo, medo." É assim que Manuela Ferreira Leite vê o país ao fim de quatro anos e meio de mandato de José Sócrates e da maioria absoluta socialista. No mais violento ataque que desferiu ao PS nesta campanha eleitoral, a presidente do PSD pediu uma mudança de rumo para o país ultrapassar o medo e se poder desenvolver.

"Vivemos numa sociedade bloqueada da qual só se pode esperar decadência, porque enquanto não ultrapassarmos o medo não é possível crescermos", afirmou ontem Manuela Ferreira Leite num jantar com todos os ingredientes de comício e que juntou cerca de 3000 apoiantes no parque de exposições de Aveiro - o maior nestes seis dias de campanha eleitoral.

Num discurso empolgado, que contrastou com um dia em que pairou o fantasma das escutas em Belém sem que a líder quisesse dizer o que pensava, Ferreira Leite conseguiu galvanizar os militantes quando ia repetindo o que não aceitava para o país. "Não aceito viver num país em que haja uma estação de televisão, sendo incómoda para o primeiro-ministro, seja silenciada sem sabermos porquê." E a fórmula foi sendo repetida quando Ferreira Leite condenou a conduta de um director-geral de um serviço público que "teve o descaramento de perdoar multas ao PS". Ou que os "recursos públicos estejam a ser utilizados para fazer campanha eleitoral do partido que apoia o Governo". Tão-pouco que "um director de jornal, reconhecido e prestigiado do nosso país, possa estar sob escuta". A líder social-democrata passava em revista o polémico caso TVI, as multas retiradas à caravana do PS no Seixal e ainda, indirectamente, as notícias sobre suspeitas de escutas à Presidência da República (ver pág. 3). Um clima de "asfixia democrática" que, insistiu, não se vivia desde o 25 de Abril de 1974 e que está a condicionar a liberdade e o desenvolvimento do país. "Não aceito. E porque não aceito é que estou nesta luta."

Manuela Ferreira Leite fugiu ao "guião" deste tipo de discursos deixando uma promessa para muitos milhares de eleitores - os funcionários públicos. Se vencer as legislativas, o "PSD não irá mudar" a ADSE. Depois de acusar os socialistas de terem acabado com os subsistemas de saúde que "funcionavam de forma eficaz", previu mesmo que "essa voragem" levará Sócrates a extinguir também a assistência na saúde aos funcionários públicos.

E na resposta aos ataques desferidos pelo PS por o PSD querer privatizar a saúde, Manuela Ferreira Leite prometeu a "manutenção e desenvolvimento" do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Num desafio à "coragem" dos militantes nesta recta final de campanha eleitoral - em que os episódios e "histórias" abalaram a estratégia laranja -, a líder tentou demonstrar arrojo: "Ninguém vai desistir, ninguém vai baixar os braços. Todos unidos vamos vencer."

Seis dias depois do arranque da campanha, a "máquina" laranja mostrou-se no jantar de Aveiro e trouxe uma lufada de ânimo à caravana de Ferreira Leite. Um ânimo que não se viu durante todo o dia, apesar da ruidosa arruada pelo centro da cidade. Junto à ria, Manuela Ferreira Leite cumprimentou e beijou dezenas de idosos, enquanto José Pedro Aguiar Branco fazia uma campanha tenaz de apoio ao PSD, ouvindo por vezes dúvidas. "Qual deles é o melhor?", perguntava-lhe uma mulher, sem nomear Sócrates ou Ferreira Leite. Uma outra dirigiu-se à ex-deputada Clara Carneiro: "Hei-de pôr um voto em cada um, se me deixarem." "Não pode. Só pode pôr uma cruz. Vote no PSD", pediu.

De manhã, Ferreira Leite entrou na "batalha" do voto útil e acenou com o "fantasma" da uma unidade de esquerda entre o PS e o Bloco de Esquerda. Com a ajuda de Couto dos Santos, cabeça de lista em Aveiro, que apresentou o partido como "a única salvação para Portugal". Com as sondagens em baixa para o PSD, Ferreira Leite apostou no discurso da bipolarização. Questionada pelos jornalistas se temia uma aliança entre José Sócrates e Francisco Louçã: "O país é que deve temer." "Não me parece que os problemas que o país enfrenta fossem susceptíveis de ser resolvidos como uma aliança dessa natureza, com as políticas que são anunciadas pelo BE."


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que medo

Em tempos de eleições todos os argumentos valem, mesmo os mais ridículos! Ninguém fala dos números ...

Anónimo

19.09.2009 15:37

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