Ferreira Leite acusa Lusa de mandar jornalista a Espanha ouvir comentários socialistas às suas declarações sobre o TGV 
17.01.2009 - 10:03 Por Lusa
A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou ontem à noite a Agência Lusa de ter mandado propositadamente a Espanha um jornalista para "ouvir os socialistas espanhóis" sobre as declarações que proferiu sobre o TVG. A Lusa já reagiu às declarações da líder da oposição, indicando, em comunicado, que se trata de uma “acusação grave, falsa e profundamente injusta”.
Ferreira Leite, que falava no seu primeiro comício do ano, no Europarque de Santa Maria da Feira, afirmou ainda que uma das conclusões que tira dessa notícia feita pela Lusa é a de que "o engenheiro José Sócrates vai fazer queixinhas aos socialistas espanhóis e vai pedir-lhes ajuda".
"Ontem, numa entrevista à RTP, respondi categoricamente que, num governo PSD, não faria sentido o TGV. Para além daquele ministro de serviço que responde a tudo o que dizemos, aconteceu algo muito grave: um jornalista de uma agência pública deslocou-se a Espanha - o que significa que foi lá pago por nós. Os nossos impostos é que pagaram essa deslocação. O que foi ele lá fazer? Foi falar com os socialistas espanhóis para lhes dizer que tinha havido alguém, neste caso eu, que tinha afirmado que com o nosso governo suspenderíamos de imediato essa decisão", afirmou a líder do PSD.
A notícia citada pela presidente social-democrata, escrita pelo correspondente da Lusa em Madrid e a residir naquela capital, incluía comentários de vários partidos políticos espanhóis às suas declarações incluindo as do PP, partido da mesma família política europeia do PSD, que disse que Ferreira Leite deveria "retratar-se".
Manuela Ferreira Leite disse tirar deste episódio "duas ou três conclusões que queria dizer ao engenheiro José Sócrates".
"A primeira é que evidentemente já assumiu que vamos ganhar as eleições. Porque se estivesse convencido de que as ganhava tanto lhe fazia o que disséssemos, porque a decisão era dele", afirmou.
"O desespero que significa haver um Governo que, perante uma afirmação feita pela oposição, vai fazer queixinhas aos socialistas espanhóis. Se o engenheiro José Sócrates pensa que o PSD tem medo dos socialistas espanhóis está muito enganado", acrescentou.
Ferreira Leite questionou ainda se "será possível que o engenheiro José Sócrates não tenha o sentido de Estado suficiente para que um assunto que é verdadeiramente nosso tenha de ser discutido com os socialistas espanhóis".
Quando confrontada com o facto de as acusações de Ferreira leite não corresponderem ao conteúdo da notícia veiculada pela Lusa, a líder do partido debateu o tema com os vice-presidentes Rui Rio e José Pedro Aguiar-Branco, um de cada lado na mesa do jantar que ocorreu após o discurso de Ferreira Leite.
Aguiar-Branco veio então tentar esclarecer as afirmações da líder, considerando que "sobre uma matéria de política interna, o que preocupou a direcção da Lusa foi ouvir a opinião de partidos espanhóis, seja o Partido Socialista, seja o PP".
Questionado sobre se as acusações não seriam excessivas, o vice-presidente do PSD afirmou que "o que se quis mostrar claramente é que sobre uma matéria de política interna a preocupação foi de subserviência".
"O primeiro-ministro foge ao debate e vai-se ouvir em Espanha o que o Partido Socialista tem a dizer sobre esta matéria. Isto é que a Doutora Ferreira Leite quis deixar muito claro como sendo algo que não é adequado para uma situação grave como a do TGV", acrescentou.
“Acusação grave, falsa e profundamente injusta”, esclarece Lusa
Logo após as acusações de Manuela Ferreira Leite, a Lusa publicou um comunicado em que esclarecia que a agência noticiosa se move “por estritos critérios de independência, objectividade e - o que é pertinente para o caso - de relevância”.
“É uma acusação grave, falsa e profundamente injusta, que a Direcção de Informação da Lusa rejeita em absoluto”, esclarece a agência noticiosa.
“As posições em Espanha, com quem existem acordos no domínio da alta velocidade, foram e serão noticiadas pela agência, sempre que em Portugal forem produzidas posições de relevo sobre a matéria, venham elas de onde vierem”, acrescentava ainda a agência em comunicado.
“Os únicos compromissos da Lusa são com a verdade e com o interesse dos seus cliente”, concluiu.
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