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Se não for eleito volta às funções na AMI

Fernando Nobre: "Deixei claro que não quero receber donativos nem de empresas nem de partidos"

21.08.2010 - 07:58 Por São José Almeida, Luciano Alvarez

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Já disse várias vezes que não desistia, mas tendo em conta que a sua candidatura e as outras já no terreno manifestam insatisfação com o mandato de Cavaco Silva, vê alguma hipótese de haver algum entendimento entre as diversas candidaturas para avançar uma única, nomeadamente a que estiver melhor colocada nas sondagens, contra a do actual Presidente?

No que me diz respeito, em nome de uma coerência e dignidade própria, e tendo em conta o imperativo de consciência, moral e de cidadania que me levou a erguer há seis meses, a minha candidatura é para ir até ao fim. Não há possibilidade de desistência a favor seja de quem for. Eu vou até ao fim para unir os cidadãos. Estamos perante desafios de tal modo graves para a sociedade portuguesa que os cidadãos têm de saber que têm por fim um cidadão como eles para ir até ao fim e para defender os seus verdadeiros interesses.

Como está a receptividade à sua candidatura?

Deixei claro desde que me candidatei que a minha fundação não intervinha, e não interveio, e tive de percorrer o país mobilizando voluntariado em todos os distritos. Hoje tenho núcleos distritais e concelhios e cerca de dois mil voluntários activos, que já recolheram cerca de onze mil assinaturas - e eu quero quinze mil. Em termos de donativos, os cidadão estão a participar. Agora, evidentemente, a minha candidatura será muito mais parcimoniosa e poupada que qualquer outra, na medida em que não vou receber nem donativos de empresas nem de partidos políticos. Eu deixei claro que não quero receber de empresas nem de partidos. Vou fazer uma campanha de proximidade.

Na eventualidade de não ser eleito Presidente, o doutor Fernando Nobre volta a ser o doutor Fernando Nobre, portanto volta para a frente da AMI?

Certo. Eu só suspenderei as minhas funções executivas se for eleito.

Não teme que ao candidatar-se a um cargo político, o principal órgão de soberania, esta politização da sua imagem venha a prejudicar a AMI? Que os apoios e os donativos fujam da AMI?

Não, de todo. É uma candidatura unipessoal, não partidarizada. É política, eu faço política há mais de 30 anos. Repare: quem se ocupa de questões humanitárias e sociais como eu há mais de 30 anos, eu faço política, não é política partidária. Continuarei sempre a ser o presidente da AMI e o fundador da AMI.


- Problemas na justiça: O Presidente tem que participar na procura de uma solução

Falou na justiça, que voltou a estar envolta em forte polémica com a divulgação do despacho do processo Freeport. As opiniões dividem-se sobre o papel que o Presidente da República deveria ter. Qual é a sua opinião?

O Presidente da República, embora não esteja literalmente escrito no papel da Constituição, perante o implodir do pilar da justiça tem, no mínimo, de fazer uma comunicação e chamar à razão os diferentes constituintes deste órgão de soberania.

E essa chamada à razão seria em que sentido?

A independência e a autonomia da magistratura e do Ministério Público são essenciais a um verdadeiro Estado democrático, mas algo está a correr mal no pilar da justiça no nosso país e o Presidente da República tem de intervir e de participar na procura de uma solução. Porque o que está à vista em muitos casos - e vamos ver o que vai acontecer com a Casa Pia - é que há uma justiça para os quem têm os meios para recorrer aos grandes escritórios de advogados e outra para o mero cidadão.

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O Presidente "tem que participar na procura de uma solução" para a Justiça

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Comentário + votado

Finalmente alguém fora dos partidos!

Estou a acompanhar com atenção esta candidatura. Estou farto desta promiscuidade entre ...

anti partidos

23.08.2010 11:52

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