O PCP acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de procurar exercer chantagem sobre a Assembleia da República e de “dramatizar a vida política”, insistindo na necessidade de esclarecimentos do Governo sobre eventuais interferências nos media.
O deputado do PCP António Filipe falava aos jornalistas após a comunicação do primeiro-ministro, em que Sócrates afirmou nada temer quanto ao conteúdo das escutas do processo “Face Oculta” e acusou os partidos que perderam as eleições legislativas de tirarem partido das “criminosas” violações do segredo de justiça.
Uma declaração em que, para António Filipe, o primeiro-ministro se limitou a “repetir o que já há muito tempo” disse sobre esta matéria e “que os factos têm vindo a desmentir”.
“O primeiro-ministro continua na linha de chantagem sobre a Assembleia da República com vista a fazer prosseguir, através do Orçamento do Estado, aquela que tem sido a orientação do Governo, que não reconhece que perdeu a maioria absoluta”, disse o deputado comunista, acusando José Sócrates de insistir em “dramatizar a vida política e em vitimizar-se”.
Para o PCP, continuam a ser “devidos esclarecimentos” sobre eventuais interferências do Governo para “modificar a orientação de órgãos de comunicação social”.
António Filipe sublinhou que “os factos têm vindo a revelar” que o primeiro-ministro conhecia a intenção da PT de adquirir a TVI, ao contrário do que afirmou, defendendo a necessidade de esclarecimento sobre esta matéria, um trabalho que, sublinhou, o Parlamento já está a desenvolver, com as audições na comissão de ética.
A última edição do semanário "Sol" voltou a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver “indícios muito fortes” do envolvimento do Governo, “nomeadamente o primeiro ministro”, num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP, e Paulo Penedos.


