Face Oculta: Aguiar-Branco diz que declaração de Sócrates foi “oportunidade perdida”

18.02.2010 - 21:48 Por Lusa
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, considerou hoje que a declaração do primeiro-ministro foi “mais uma oportunidade perdida”, exortando José Sócrates a “começar a governar”.
“O senhor primeiro-ministro não trouxe nenhuma novidade, repetiu argumentos estafados, podia ter aproveitado para clarificar, mas ensaiou mais uma vez a vitimização e confundiu legitimidade eleitoral, que ninguém põe em causa, com um contrato de confiança com os portugueses”, afirmou Aguiar Branco, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
Numa declaração na residência oficial em São Bento, o primeiro-ministro afirmou hoje nada temer quanto ao conteúdo das escutas do processo Face Oculta, numa declaração em que acusou os que perderam as eleições legislativas de tirarem partido das “criminosas” violações do segredo de justiça.
Sócrates afirmou hoje que a “sucessão de insultos, rumores e mentiras” sobre o seu alegado envolvimento num plano para controlar a comunicação social não o farão desviar da sua responsabilidade como líder do Governo.
O líder parlamentar social democrata saudou esta garantia dada por José Sócrates de que se manterá à frente do Governo: “É muito bom, porque os portugueses estão desejosos que o primeiro ministro comece a governar”.
“Estamos todos desejosos que o primeiro-ministro comece a governar e não se desvie desse propósito”, reforçou Aguiar Branco.
Questionado sobre uma notícia da Lusa, segundo a qual o procurador geral da República considerou no seu despacho sobre as escutas do caso Face Oculta que nas referências feitas ao primeiro ministro não existe uma só menção de que Sócrates tenha proposto, sugerido ou apoiado qualquer plano de interferência na comunicação social, Aguiar Branco preferiu não comentar.
“Eu não comento fontes próximas da procuradoria. Se o procurador tem esclarecimentos a fazer, que o faça, isso não é maneira de esclarecer os portugueses”, disse.
A última edição do semanário "Sol" voltou a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver “indícios muito fortes” do envolvimento do Governo, “nomeadamente o primeiro ministro”, num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP, e Paulo Penedos.

