O eurodeputado do PSD Mário David acusou hoje o "Jornal de Notícias" (JN) de ter censurado um artigo de opinião do jornalista Mário Crespo, recusando a sua publicação, tendo a direcção do diário alegado que este não cumpria práticas internas.
Em causa está a habitual coluna do jornalista da SIC Notícias, que hoje não saiu naquele diário, na qual o jornalista acusa membros do Governo de terem falado depreciativamente sobre ele durante um almoço realizado em Lisboa.
Contactado pela Lusa, fonte do Ministério dos Assuntos Parlamentares disse: "O Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices".
Mário Crespo confirmou à Lusa que o diretor do JN lhe comunicou "domingo à meia-noite que não iria publicar" o texto, acrescentando ter optado por acabar a colaboração com o jornal. "Com esta direcção nunca mais escrevo", assegurou.
O texto acabou por sair no site do Instituto Sá Carneiro, um organismo ligado ao PSD.
Em declarações à Lusa, Mário David disse que hoje "estava à espera de ler a habitual crónica de segunda-feira do Mário Crespo no JN" e que, "se ela não apareceu e se aparece um texto que dizem que é o texto que deveria ter sido publicado", só pode concluir, afirma, que houve censura por parte do jornal.
"Na minha terra isto só se chama censura. Se tem outro nome, digam-me qual é, que eu não conheço outro", declarou o eurodeputado do PSD e vice-presidente do Partido Popular Europeu.
O JN divulgou hoje uma nota na qual a direcção do jornal explica que a colaboração cessou por vontade do jornalista depois de o director do jornal lhe ter dado conta das "dúvidas" que lhe causava o texto.
"O texto de Mário Crespo não era um simples texto de opinião, mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado, necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa. Isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante", refere a nota.


