A Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, hoje em Luanda, manteve o foco nas questões centrais do bloco lusófono, nomeadamente a língua, deixando para segundo plano a ambição da Guiné Equatorial de aderir à organização.
Apesar da presença do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, no centro de convenções de Talatona, onde decorreu a Cimeira, os chefes de estado e de Governo dos “oito” adoptaram o Plano de Ação de Brasília, que prevê a introdução do português nas Nações Unidas e respectivas agências, bem como parcerias com as organizações regionais e sub-regionais integrados pelos estados membros.
Quando saiu a Declaração de Luanda, ao fim da tarde, Obiang abandonou a Cimeira, considerando que não houve sucesso em relação à sua pretensão, sem consenso entre os estados membros e fortemente contestada por grupos de defesa dos direitos humanos.
O Presidente da Guiné Equatorial estava “optimista”, porque recebeu a garantia da abertura das negociações, mas também um recado: um programa de apoio da CPLP às reformas no seu país “para dar pleno cumprimento às disposições estatutárias”, relativas à “adopção e utilização efectiva da Língua Portuguesa”.
Antes, no início dos trabalhos, já o Presidente português, Cavaco Silva, tinha chamado a atenção para “a imagem de coesão em torno dos laços, princípios e valores presentes nos seus estatutos”.
Outro recado que saiu da Cimeira foi dirigido à Guiné-Bissau, instada a libertar os detidos da intervenção militar de 1 de Abril, numa referência ao ex-chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, ainda preso.
Os estados membros consideraram os acontecimentos de 1 de Abril “um grave atentado à ordem constitucional” e, no encerramento da Cimeira, o chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, que recebeu de Portugal a presidência em exercício da CPLP, anunciou a intenção de promover uma conferência de doadores para a Guiné-Bissau.
Angola foi aliás outro dos países cuja situação interna mereceu uma referência na declaração final, com os chefes de estado e de governo a congratularem-se com a nova Constituição angolana, que prevê a eleição do Presidente no parlamento, em vez do sufrágio universal.
Os últimos dois anos, segundo o primeiro-ministro português, José Sócrates, “trouxeram uma melhor capacidade de resposta aos desafios, como os da promoção da Língua Portuguesa e na concertação político-diplomática”.
Os próximos deverão reflectir “uma organização poderosa”, no desejo de José Eduardo dos Santos, e um maior envolvimento da sociedade civil, segundo Cavaco Silva, que pede ainda atenção à criação do estatuto do cidadão lusófono.
Na cimeira de Luanda, a que faltaram os presidentes do Brasil, Lula da Silva, e de Timor-Leste, José Ramos-Horta, foi reconduzido no cargo de secretário executivo da organização o guineense Domingos Simões Pereira.


