O secretário de Estado dos Assuntos Europeus espanhol declarou hoje que Portugal é "o primeiro e preferencial parceiro" de Madrid na União Europeia, destacando a importância de Lisboa na estratégia da presidência europeia espanhola, em Janeiro de 2010.
"Entendemos que Portugal e Espanha são parceiros preferentes, são parceiros intimamente unidos pela história, pela geografia, pelos afectos. Portugal é o nosso grande parceiro europeu, primeiro e preferencial parceiro na União Europeia (UE)", afirmou Diego López Garrido em declarações aos jornalistas, após um encontro com a sua homóloga portuguesa, Teresa Ribeiro.
Lisboa foi a primeira paragem da agenda do secretário de Estado espanhol, que irá estabelecer, no decorrer deste ano, contactos com os 27 Estados-membros para explicar objectivos e prioridades da presidência europeia espanhola.
"Portugal realizou uma grande presidência em 2007 e pode ajudar e ensinar muito. Queremos que Portugal diga o quer e deseja da presidência espanhola, porque queremos fazer uma presidência que represente também, e naturalmente, os interesses de Portugal", reforçou. Segundo o secretário de Estado, a presidência espanhola vai acontecer num "momento-chave" da vida da UE, com o arranque "de uma nova etapa política, com novos actores políticos".
Reforma do sistema financeiro
Por seu lado, Teresa Ribeiro considerou que a agenda da presidência espanhola terá de gerir as repercussões de temas como "as reformas institucionais, os resultados e os efeitos, quer do plano do relançamento económico quer da reforma do sistema financeiro, os efeitos da própria crise, que não se sabe que dimensão assumirá ainda e por quanto tempo, e as questões relacionadas com o pacote energia e clima".
A agenda do encontro de hoje foi igualmente marcada pela 24º cimeira luso-espanhola, que decorre quinta-feira em Zamora. Diego López Garrido lembrou que a cimeira, que pretende "estreitar a amizade entre Portugal e Espanha", irá acontecer sob o cenário de "uma crise económica de enormes proporções" que requer um enorme esforço conjunto, nomeadamente de Portugal e Espanha que têm "economias profundamente integradas".
"Espanha e Portugal têm que seguir uma política que seja coerente com a política económica, lançada, desenhada e orientada desde a Comissão Europeia, e que passa, por outras coisas, por uma importante capacidade de investimento público, que ajude a relançar a nossa economia", salientou o secretário de Estado.
Investimento que terá de passar, segundo López Garrido, entre outros aspectos, pela criação de infra-estruturas físicas rodoviárias e ferroviárias e pela interligação de fontes de energia (electricidade e gás). O reforço do conhecimento do espanhol e do português, nos respectivos países, será outro dos objectos de trabalho do encontro de Zamora.


