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“O Que Resta da Esquerda?”, de Nick Cohen, publicado em Portugal

Entrevista: “Ser de esquerda significa apoiar o Estado e, temo, ser anti-americano”

05.11.2007 - 09:02 Por Teresa de Sousa

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 (Miguel Dantas/PÚBLICO)
O que resta da esquerda ou como a esquerda está sempre pronta a desculpar mais depressa Saddam e Osama do que George W. Bush. Entrevista com Nick Cohen, que acaba de lançar “O que Resta da Esquerda?” em Portugal

Em 2003, Nick Cohen, jornalista, colunista do “Observer” e colaborador da “New Statesman”, escreveu um livro que foi considerado a mais devastadora crítica ao New Labour de Tony Blair. De esquerda, entenda-se. Chamava-se "Pretty Straight Guys" e considerava os seus governos os mais absolutistas desde os Stuarts. Levantou uma gigantesca polémica. A mesma que agora provocou o seu último livro "What's Left?", publicado em Fevereiro e agora editado em Portugal pela Aletheia com o título "O que Resta da Esquerda?" É uma diatribe violenta contra a esquerda liberal britânica que... se opôs a Blair.

Incoerente? Não tanto, se soubermos que, em 2003, ele já considerava que a guerra contra Saddam fora das poucas coisas que Blair fizera bem, mesmo que nem sempre pelas melhores razões. O que ele tenta provar em 2007 é como a esquerda liberal britânica (e, de caminho, a das democracias ricas do Ocidente) perdeu qualquer sentido moral virando as costas às vítimas da opressão e do terror a não ser que essa opressão e esse terror possam ser assacados aos americanos. É implacável a desmistificar os Michael Moore e os Noam Chomsky da esquerda, mas deixa-nos perplexos quando argumenta que as suas ideias afectam hoje o mainstream liberal e não apenas as suas margens. Acusa a esquerda, de um modo geral, de estar sempre disponível para desculpar mais depressa Bin Laden, Saddam ou qualquer movimento obscurantista do que George W. Bush.

Ele próprio começou por criticar a guerra, para mudar de posição quando se interrogou sobre as gigantescas manifestações de Fevereiro de 2003 contra a guerra. “O Iraque é o único país árabe com um forte movimento de oposição democrática. E, no entanto, eu pergunto-me quantos dos manifestantes sabem sequer da existência dos dissidentes.”

O seu livro, como admite na entrevista ao P2, nasce desta interrogação. Extractos.

Em 2001 era contra a guerra do Afeganistão, contra Blair, contra Bush, como muita gente na esquerda. O que é que o fez mudar desta forma, ao ponto de escrever este livro que deixa a esquerda de rastos, quando as coisas estão mesmo a correr mal no Iraque?

Uma coisa peculiar. Durante a ditadura de Saddam, que se assemelhava em tudo ao fascismo, havia uma oposição que era perfeitamente conhecida pela velha esquerda europeia – os socialistas, os comunistas, os sindicalistas. O que me fez mudar foi a constatação de que a esquerda no Reino Unido, na Europa e na América não conseguia opor-se a Bush e, ao mesmo tempo, continuar a apoiar essas pessoas que, no Iraque, partilhavam os seus valores. A partir do momento em que se pergunta porquê, então temos de perguntar a seguir que valores são esses. Parece uma coisa insignificante, mas não é.

Os valores da esquerda?

Deus sabe os terríveis crimes que a esquerda cometeu no século XX, mas era boa na luta contra o fascismo. Bom, nem sempre, mas quase sempre. E o seu lado mais nobre era o internacionalismo, a solidariedade, a camaradagem. E eu perguntei-me: porque é que tudo isto desapareceu? Nunca consegui ver ninguém de esquerda dizer: esperem aí, porque é que não apoiamos as pessoas que, no Iraque, querem exactamente o mesmo que nós e que sofreram mais do que algum de nós pode sequer imaginar?

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Cambada

Este autor não me parece moralmente honesto. E digo porquê. Porque a história da revolução ...

Anónimo

06.11.2007 16:21

X

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