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Primeiras conclusões de relatório da Isaf

Engenho improvisado na origem da explosão que atingiu militares portugueses no Afeganistão

22.11.2005 - 20:54 Por Lusa

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O funeral da única vítima mortal do incidente no Afeganistão decorreu hoje na presença de centenas de pessoas O funeral da única vítima mortal do incidente no Afeganistão decorreu hoje na presença de centenas de pessoas (Nuno Veiga/Lusa)
A explosão que atingiu uma patrulha portuguesa no Afeganistão, na passada sexta-feira, foi provocada por um "engenho improvisado", com uma carga explosiva "muito forte", segundo as primeiras conclusões do relatório de especialistas da Força Internacional de Segurança e Assistência (Isaf) hoje divulgadas pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, Valença Pinto.

De acordo com o responsável, o documento concluiu que na origem da explosão que vitimou mortalmente o primeiro-sargento dos Comandos João Paulo Roma Pereira e feriu três outros militares, um deles com gravidade, esteve um engenho explosivo com “uma carga muito forte, de 15 a 20 quilogramas", "instalado numa manilha, por debaixo da ponte onde o incidente ocorreu".

"O que ainda não está inteiramente apurado é se o explosivo foi iniciado de uma maneira clássica ou se, pelo contrário, foi accionado à distância por controlo remoto", adiantou Valença Pinto, classificando o incidente como uma "acção intencional".

O Chefe do Estado-Maior do Exército falava aos jornalistas no Alandroal, distrito de Évora, no final das cerimónias fúnebres de João Paulo Roma Pereira, de 33 anos, que decorreram ao final da tarde na presença de centenas de pessoas. Entre os presentes estiveram o ministro da Defesa, Luís Amado, do bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, militares dos três ramos das Forças Armadas e uma representação da Associação dos Comandos.

"Este acto fúnebre foi organizado pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas e com uma atenção muito particular ao desejo vivamente expresso pela família, de que o funeral fosse concluído no dia de hoje", adiantou Valença Pinto.

O corpo de João Paulo Roma Pereira chegou hoje a Portugal, ao aeroporto militar de Figo Maduro, e depois seguiu para o Instituto de Medicina Legal, que confirmou o óbito. Transportada em carro funerário, a urna chegou à igreja do Alandroal cerca das 16h30, onde teve lugar uma cerimónia religiosa que se prolongou por cerca de uma hora. O cortejo fúnebre seguiu posteriormente a pé, pelas ruas do Alandroal, até ao cemitério situado na periferia, onde foi prestada a última homenagem ao militar português.

Apesar de registada a primeira baixa militar portuguesa no Afeganistão, Valença Pinto reiterou que a moral do contingente português estacionado na zona de Cabul "continua elevada" e que os militares prosseguem o desempenho das suas "normais actividades operacionais".

Segundo o Chefe do Estado-Maior do Exército, o contingente recebeu hoje a visita do alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.

Quadro clínico de militar gravemente ferido "continua estável"

O quadro clínico do ferido grave do incidente da passada, o primeiro-cabo Horácio da Silva Mourão, que se encontra internado no Hospital Militar da Base Aérea de Koblenz, na Alemanha, "continua estável", embora o prognóstico se mantenha reservado, segundo disse à Lusa fonte do Ministério da Defesa.

O facto de o estado de saúde do primeiro-cabo não ter sofrido "grandes alterações" está a ser encarado como um sinal positivo, já que hoje termina o período de 72 horas considerado mais crítico para este tipo de casos.

Ultrapassada esta a fase, o militar deverá permanecer por tempo indeterminado em recuperação, não sendo possível antecipar a possibilidade de ser submetido a nova intervenção cirúrgica ou a data do seu regresso a Portugal, adiantou a mesma fonte.

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