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Audição na Comissão de Ética

Emídio Rangel acusa juízes de violarem segredo de justiça

06.04.2010 - 17:12 Por Maria Lopes

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 (Daniel Rocha)
Emídio Rangel, antigo director da SIC e da RTP, acusou os juízes de violarem o segredo de justiça ao facultarem aos jornalistas documentos classificados.

Numa comunicação altamente crítica sobre o estado do jornalismo em Portugal, Emídio Rangel apontou o dedo directamente aos juízes, acusando-os de violação do segredo de justiça. "Nesta roda entraram há pouco tempo a Associação Sindical dos Juízes e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: obtêm processos para os jornalistas publicarem, trocam esses documentos nos cafés, às escâncaras", acusou Rangel.

O jornalista não poupou críticas à sua classe e referiu-se em especial aos jornalistas que já passaram pela Comissão de Ética, dizendo que boa parte deles "envergonha o jornalismo". E não se coibiu de citar nomes: Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz, José António Saraiva, José Manuel Fernandes, Francisco Pinto Balsemão.

"Em Portugal existe bom jornalismo e bons jornalistas, mas é cada vez maior o número dos que atropelam o código deontológico. Esta peste entrou em Portugal pela mão de Paulo Portas quando era director do Independente, que fez primeiras páginas sem respeito ou valor pela dignidade humana." E avisou: "Seremos todos vítimas, mais cedo ou mais tarde, deste jornalismo indigno. Os senhores [deputados] serão, mais cedo ou mais tarde, vítimas."

E apontou também o dedo ao crescente poder das agências de comunicação, em que "a maior parte delas plantam notícias, têm jornalistas por conta, compram jornalistas", afirmou, lembrando que se bateu "pela criação de uma ordem dos jornalistas". Mas Augusto Santos Silva e Arons de Carvalho "foram os coveiros dessa hipótese, fazendo criar a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, um saco de gatos com muitos poderes sem saber o que fazer".

Despedido por Morais Sarmento
Embora tenha afirmado que nunca sofreu qualquer pressão durante a sua vida profissional, Emídio Rangel não se coibiu de contar o episódio da sua saída da RTP, de onde saiu forçado pelo ministro Nuno Morais Sarmento.

O presidente da RTP terá chamado Rangel, contou-lhe que lhe haviam dito ser "um bom profissional", mas que tinha "que sair da RTP" e não havia sequer "espaço para discussão". "Ou chego a acordo consigo ou então, se não chegarmos a acordo, levanto-lhe um processo disciplinar, você é afastado e o assunto resolve-se nos tribunais", disse-lhe Almerindo Marques, sem apelo nem agravo. "Se me coloca as coisas nesses termos, levante o processo disciplinar, eu depois defender-me-ei", terá respondido Rangel.

O então director da RTP contou o sucedido a José Miguel Júdice que de pronto lhe arranjou um encontro com Nuno Morais Sarmento, "com quem tinha entendimento preferencial" e até disponibilizou a sua casa para um café, numa tarde dois dias depois. Rangel contou ao então ministro de Durão Barroso que tinha um contrato de cinco anos com a RTP, dos quais cumprira apenas um e que havia cláusulas de rescisão. Nuno Morais Sarmento disse que "não tinha dinheiro para isso". "Só temos 90 mil contos, não temos outra solução", cita Rangel. "Eu não tive outra solução senão aceitar", remata antigo director da RTP e da SIC.


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Valeu a pena

vi em directo as declarações do rangel e já bocejava quando ele disse o que todos sabem mas ninguém ...

jose maia

06.04.2010 18:41

X

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