Eleitores têm de escolher “entre a responsabilidade e a irresponsabilidade”, adverte BE

24.09.2009 - 07:25 Por Maria José Oliveira
O Bloco de Esquerda (BE) prenuncia um aumento das intenções de voto no PS. Por isso, os discursos ganham novos contornos. A aposta final é nesta dicotomia: os eleitores têm de escolher “entre a responsabilidade ou a irresponsabilidade, entre a esquerda [o BE, entenda-se] ou a maioria absoluta.”
Ontem à noite, na sociedade “Os Franceses”, no Barreiro, foi Francisco Louçã quem concentrou todo o seu discurso na ideia de que os eleitores devem fazer uma escolha. “Querem mais quatro anos de irresponsabilidade?”, perguntou. E, ao longo de 20 minutos, ia repetindo que “a luta” contra as políticas do Governo socialista “só vencerá de der o passo de derrotar a maioria absoluta”. “Ou a esquerda ou a maioria absoluta”, exclamou o líder bloquista.
O apelo clamoroso no reforço do BE vai pautar a etapa final da campanha. Os bloquistas receiam a subida dos socialistas nas sondagens. Mas temem também uma fuga de votos do PSD para o CDS-PP.
Para o comício do Barreiro reservaram a evocação de uma série de medidas do Governo de Sócrates (“o desleixo fiscal, o abuso económico, 200 mil desempregados a quem foram retirados os subsídios de desemprego, o Código do Trabalho”, elencou Louçã). Mas até amanhã à noite espera-se que os bloquistas insistam na indiferenciação entre o PS e do PSD.
Também Fernando Rosas, cabeça de lista por Setúbal, persistiu na dicotomia lançada por Louçã, embora tivesse optado por ilustrá-la. “Será que é uma escolha digna de um homem livre e de uma mulher livre ter de escolher morrer pela forca ou pela cadeira eléctrica?”.
Antes disso, Rosas respondeu às insinuações de uma eventual coligação entre o PS e o BE, notando que, perante a conversão de “todos os partidos socialistas europeus ao neoliberalismo”, o “verbo” principal para o BE “é derrotar e não coligar”. “É preciso derrotá-los nas urnas”, advertiu.

