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Entrevista à RTP

Eleições este ano? “Depende inteiramente do Governo”, diz Passos Coelho

17.02.2011 - 22:33 Por Leonete Botelho

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Passos Coelho:  “o Governo está a perder o timing” Passos Coelho: “o Governo está a perder o timing” ()
Pedro Passos Coelho foi esta quinta-feira à RTP deixar claro que não está a dar a mão ao Governo, mas a exigir que este cumpra aquilo que prometeu. O PSD, afirma, está muito atento.

E, acrescentou, se houver um “problema sério de credibilidade e confiança externa”, saberá resolvê-lo. Haverá eleições este ano, perguntou Judite de Sousa. “Isso depende inteiramente do Governo”, respondeu o líder social-democrata. O Executivo deve “deixar-se de fitas e governar”.

A mensagem que Passos Coelho levava era simples e já conhecida: o PSD deu “todas as condições pedidas” pelo Governo para que este “resolva os problemas que ele próprio criou”. Agora, exige que o faça de acordo com o acordado: reformas estruturais na administração pública e no sector empresarial do Estado e redução do défice sem recurso a receitas extraordinárias.

Mas o maior partido da oposição constata que “o Governo está a perder o timing”. E o tempo, afirma Passos, “corre contra Portugal”. “Se tivesse feito o que foi acordado em Maio [redução da despesa], não tínhamos precisado das medidas extraordinárias”, como o corte de salários, afirmou. “Prometeu em Outubro que ia reestruturar a Administração Pública, em Dezembro apresentou 50 medidas para estimular a economia. Quantas já saíram do papel?”, questionou Passos Coelho.

Pior, considera o líder da oposição: “O Governo quer dizer ao país que a situação em que nos encontramos não depende de si. Não é verdade. Há uma quota de responsabilidade dos executivos grego e irlandês, como há nossa”, afirmou. Para insistir na crítica: “O Governo está a comportar-se de forma passiva e faz uma festa quando há meio sinal positivo, como se não houvesse problema nenhum”. Mas há, diz Passos. “O agravamento de impostos deste ano é apenas para pagar juros. Isto não é sustentável”, considera.

Qual é então o momento em que o PSD fará a avaliação dessa falta de iniciativa? Será um pedido de ajuda externa o momento adequado para fazer cair o Governo, insistiu a jornalista ao longo de toda a entrevista. Passos não se comprometeu. “Já estamos a ter ajuda externa: o Banco Central Europeu (BCE) tem já 60 mil milhões de euros em títulos de dívida pública portuguesa, o que é uma fatia considerável do PIB, que ronda os 160 mil milhões de euros. O BCE não pode eternamente comprar dívida portuguesa”, respondeu.

Passos não se comprometeu, mas também não escondeu que haverá momentos em que será chamado a decidir: uma eventual moção de censura que venha a ser apresentada pelo PCP, por exemplo, um “problema sério” ou até o próximo Orçamento do Estado. Mas até lá, promete “não ficar passivamente à espera” e continuar a “fazer o que deve fazer: oposição”.

Mas pelo caminho, há um percurso próprio: apresentar o novo programa do PSD, discuti-lo com a sociedade civil, pressionar a o Governo. Mas nada disso, garante, o impede de assumir responsabilidades quando for necessário. Passos Coelho afirma-se “preparado para ser primeiro-ministro” e diz ter “a cabeça muito arrumada” em termos de “constituição e orgânica de Governo e em termos de políticas.

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Comentário + votado

Porque PS e PSD merecem ser censurados :

É preciso continuar a denunciar a acção convergente e concertada que PS e PSD, cujos ...

joaquim d'odemira

17.02.2011 22:51