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Presidenciais

E o PSD não defendeu Cavaco do ataque do PCP no Parlamento

23.12.2010 - 08:36 Por Nuno Simas

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O PCP atacou Cavaco Silva por ter dado sempre o "apoio explícito" às "medidas do actual Governo " O PCP atacou Cavaco Silva por ter dado sempre o "apoio explícito" às "medidas do actual Governo " (Foto: Raquel Esperança/arquivo)
António Filipe cola Presidente a Sócrates e responsabiliza-o por "aumento da pobreza".

Um dia depois do frente-a-frente na TVI entre Cavaco Silva e Francisco Lopes, candidato presidencial comunista, o PCP criticou o Presidente da República, co-responsabilizando-o, com o Governo de José Sócrates, pelo "aumento da pobreza em Portugal". O debate aqueceu, com os socialistas a acusarem os comunistas de "traição" a Marx. O CDS, que apoia o Presidente e candidato às eleições de Janeiro, foi quem defendeu Cavaco. O PSD optou pelo silêncio.

António Filipe, deputado comunista, abriu a sua declaração política lembrando praticamente todos os aumentos de preços, impostos, mas também a redução de salários, "pensões e reformas, que vão ser congelados".

O ano de 2011, afirmou, vai criar um "aumento de desigualdades e da pobreza" para a maioria dos portugueses, em resultado do "maior ataque aos seus direitos e às suas condições de vida de que há memória em democracia".

O deputado do PCP atacou ainda Cavaco Silva por ter dado sempre o "apoio explícito" às "medidas do actual Governo que conduziram ao aumento da pobreza e que vão seguramente agravar a situação em 2011". "É deplorável que o actual Presidente da República e candidato Cavaco Silva se apresente agora, para ganhar votos, como grande paladino do combate à pobreza em Portugal, quando, enquanto primeiro-ministro durante dez anos e Presidente desde há cinco, assume elevadíssimas responsabilidades na criação de condições que conduziram ao aumento da pobreza", afirmou.

O deputado do PS João Galamba reagiu ao "cenário dantesco", afirmando que a análise comunista não tem em conta a situação de crise internacional, "a maior desde a década de 30", e acusou o PCP de ter "perdido o seu horizonte revolucionário". E deixou a ironia: "É uma profunda traição de Marx que não esperava do PCP." Filipe respondeu na mesma moeda: "Acho que leu Marx pelas Selecções dos Reader"s Digest, e essas fontes eu não discuto."

O CDS, através de Nuno Magalhães, até assinou por baixo os alertas quanto à situação social do país, mas advertiu que o discurso de António Filipe se destinou a "fazer a marcação" ao candidato presidencial Manuel Alegre, apoiado pelo PS e Bloco.

"Conhecemos o passado e o presente político do candidato Manuel Alegre e as posições que tem tomado pelo PS ao longo das últimas décadas", observou António Filipe.

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