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Congresso do PSD

Duelo entre Paulo Rangel e Passos Coelho apaga Aguiar-Branco

14.03.2010 - 00:18 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes

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 (Daniel Rocha)
Não foi a guerra de claques como alguns previam, nem uma monótona discussão em torno de regras estatutárias, em que poucos estarão interessados agora. Em Mafra, a intendência deu lugar à política, pura e dura, com os três principais candidatosà liderança a apresentarem as suas credenciais perante um congresso ávido de ouvir falar em poder. Marcelo sempre apareceu. Fez um derradeiro apelo às unidade e saiu de cena, vergado à “irreversibilidade detrês candidaturas” que não aceitam uma convergência.

Pedro Passos Coelho galgou a vantagem com que entrou no congresso e reforçou-se para a recta final das directas, marcadas para dentro de quinze dias. Apresentou propostas, sacudiu insinuações de supostas ligações a interesses menos claros e confrontou, olhos nos olhos, Alberto João Jardim, o senhor da Madeira venerado pelas hostes depois da tragédia que se abateu sobre a ilha. Aparentemente, superou a prova e ficou mais perto da presidência do partido. O Porto, de José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel, já o escolheu: Menezes juntou o seu apoio ao do líder distrital, Marco António Costa.

Tentando desbravar um terreno que à partida lhe não lhe era favorável (a maioria dos delegados eleitos saíram do aparelho partidário há longos meses trabalhado pela candidatura de Passos), Rangel não teve o engenho para virar o conclave, como apostara. E Aguiar-Branco não conseguiu mostrar que é o factor de pacificação entre facções. Castanheira Barros foi igual a si próprio: um outsider que, inesperadamente, conseguiu a proeza de pôr o congresso de pé ao pedir um minuto de aplausos em homenagem à Madeira.

Com o arrojo de quem se apresenta como um líder, Pedro Passos Coelho veio ao congresso apresentar as propostas que tantas críticas lhe têm valido da parte do seus opositores. Voltou a pedir a demissão do procurador-geral da República – que nem Aguiar-Branco, nem Rangel subscrevem –, disse aos delegados que o PSDn ão pode continuar a a andar com “o PS ao colo”. “Se este Orçamento não serve ao país, qual o sentido da responsabilidade em o deixar passar? Se o PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento] não contempla as medidas necessárias para o país porque é que os socialistas hão-de esperar a nossa complacência?”, perguntou, numa demarcação aberta em relação à estratégia da actual direcção.

“O que queremos é que o Governo não faça chantagem sobre o PSD e o que não queremos é andar com o PS ao colo, deixando apodrecer a situação nacional”, disparou. Perante os congressistas, apresentou-se na primeira pessoa, revisitou o seu passado de militância no partido e de líder da JSD e exorcizou as suspeições de supostas ligações a interesses. “Quando saí do Parlamento não pedi a reforma e não fui logo para o terrível Ângelo Correia”. Foi a gargalhada geral. A estocada final, reservou-a para Jardim. Uma jogada de alto risco, mas que acabou por lhe sair bem. “Não é só o senhor que sabe perdoar ao engenheiro Sócrates, eu também sei perdoar e também espero que saiba perdoar”, declarou numa alusão ao desencontro com Jardim em torno da Lei das Finaças Regionais e a “desentendimentos que duram há demasiado tempo”. Jardim levantou-se e foi sentar-se ao lado de Paulo Rangel.

O eurodeputado foi o primeiro dos candidatos a avançar para a tribuna. Mostrou-se humilde, mas o nervosimo chegou quase a tolher-lhe a voz. Optou, como se esperava por virar as baterias para José Sócartes, privilegiando o país sem a intermediação de um congresso que se mostrou reservado. “Portugal precisa de uma verdadeira dessoctratização do país, um movimento de libertação liderado pelo PSD para romper com “o bloqueio” que diz ver-se no país. Evocou Sá Carneiro e Cavaco Silva e declinou várias das críticas que Manuela Ferreira Leite repetia no seu discurso de despedida. “Caiu o mito do reformismo do PS, porque tudo foi feito usando o marketing da propaganda, a comunicação social, usando demagogia e populismo do tipo Hugo Chávez”, proclamou com uma solenidade que deixava os delegados embrulhados em silêncio. Ouviram-se palmas é certo, mas Rangel nunca chegou arrebatar as hostes.

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Comentário + votado

Por Margarida Gomes, Filomena Fontes

Digam-me uma coisa, foram estas duas senhoras que escreveram esta cronica do que se passou no ...

mircorgo

14.03.2010 04:48

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